Ser bom ou não? The Good Place lida com  questões éticas e filosóficas com muito humor

The Good Place  foi criada por Michael Schur e começou a ser exibida pela NBC desde setembro de 2016.

A Netflix disponibilizou ano passado a primeira temporada e no final do ano a segunda temporada um episódio por semana às sextas-feiras.

A gente morre e vai pra onde?

Depois que Eleanor Shellstrop (Kristen Bell) morre atingida por uma fileira de carrinhos de supermercado enquanto estava no estacionamento, ela acorda e descobre que entrou na vida após a morte.

Ela é recebida por Michael (Ted Danson) seu mentor, que informa que ela está no “lugar bom” por causa de suas boas ações como advogada de direitos humanos, ajudando a levar as pessoas inocentes fora do corredor da morte.

Imediatamente ela percebe a confusão, pois as pessoas pensam que ela é outra pessoa com o mesmo nome.

Presa em um mundo onde ninguém xinga ou fica bêbado e todo mundo é sempre bom, Eleanor encontra-se no dilema entre merecer ficar nesse “lugar bom”  ou ir para o “lugar ruim”.

Como sua entrada no “lugar bom” causou muitas alterações desde a sua chegada, agora, Eleanor deve esconder seu passado duvidoso e não tão perfeito de todos, caso contrário eles vão mandá-la para o “lugar ruim”.

Ela acaba descobrindo que não é o único “erro” que foi enviado a esta vida após a morte, o que indica que talvez haja outros como ela se escondendo dentro do local.

Quarteto fora de lugar

Ao longo da primeira temporada ela se encontra com os outros três equívocos: o professor de ética e filosofia Chidi Anagonye (William Jackson Harper), a socialite indiana Tahani Al-Jamil (Jameela Jamil) e o DJ fracassado e ex-traficante Jason Mendoza (Manny Jacinto).

Esse encontro dos personagens é muito proveitoso , pois eles se deparam com diversas possibilidades acerca de si mesmos, eles descobrem que mesmo não sendo perfeitos eles podem melhorar.

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*** Atenção: daqui pra frente pode conter spoilers***

Na segunda temporada a série fica ainda melhor

Foto de Colleen Rayes para NBC

No fim da primeira temporada já dá pra sacar que em The Good Place, o inferno não é um covil pegando fogo constantemente e liderado por um diabo convencional, de pele vermelha com chifres e tridente na mão.

Michael é um demônio  na pele de um homem de meia idade e teve a ideia brilhante de emular o lugar bom com o objetivo de torturar os humanos.

Acontece que  após inúmeras tentativas o objetivo cai por terra pois os humanos acabam descobrindo e essa união entre eles desperta o desejo genuíno em cada um deles de se melhorar.

Surpreendentemente esse desejo passa como uma doença contagiosa e pega até Michael que acaba se unindo aos humanos numa cruzada rumo ao “lugar bom” de verdade.

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Humor nada básico

É fazendo graça com  burocracia nossa de cada dia, presente  em escritórios  de maioria branca, quadrados e cheios de homens brancos de meia idade, usando terno e gravata que The Good Place demonstra seu humor nada básico. As piadas não são escancaradas, mas quando percebidas  são garantia de entretenimento dos bons!

Salvação

Penso que o maior êxito da série de Mike Schur é  o ineditismo a cada episódio, com uma busca por salvação sem medo de se reinventar ou “rebootar”.

Em um ato revolucionário o roteirista se desprende de um jeito corajoso de tudo o que realizou na primeira temporada, seguindo com a história deixando no ar que tem ainda uma cartada final.

 A série põe os personagens em julgamento, e sem nenhum pudor, expõe  o caráter moral de cada um deles e de maneira inédita permite a sua mudança e evolução, permitindo que aprendam com os próprios erros.

Uma manobra arriscada deixar personagens tão semelhantes a nós pobres mortais, mas como dizia a letra da canção de Caetano Veloso “Narciso acha feio o que não é espelho”, e no fim das contas é muito bom se sentir um pouquinho refletido numa obra de ficção.

Veja para se divertir  e aproveite para refletir que mesmo o que já é bom pode melhorar.

The Good Place está com todos os episódios da primeira e da segunda temporada disponíveis na Netflix.

Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.
Veja o perfil completo.


Anna Carla

Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer. Veja o perfil completo.

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