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Bilac e eu

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!”

E eu vos direi, no entanto,

“Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto

A via láctea, como um pátio aberto, Cintila.

E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.”

Direis agora: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.”


Somente quem ama está no momento presente o suficiente para ouvir o que é de ver.

Estou aqui ouvindo muito bem, e embora a chuva caia impune na cidade, estou certa de que o meu céu hoje está salpicado de estrelas.

Anna Carla
Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

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