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A idade do conforto

Ela chegou e não foi de repente, foi paulatinamente, com o andar de uma gazela e a leveza de uma pluma. É curioso descrever assim, com pouco peso, a chegada dos meus 35 anos.

Sempre ouvi dizer que de 29 para 30 anos temos uma mudança radical na vida, muita gente fala da “crise dos 30”, da “volta de Saturno” e isso muitas vezes assusta um pouco aqueles que estão chegando ao fim de seus vinte e poucos anos.

O que ninguém divulga é que depois da volta de Saturno e dos 30 anos completos chegam ao fim muitas das inquietações dos vinte e poucos anos e ela, a idade do conforto, começa a se instalar.

Posso dizer que aprendi muito da vida e aprendi que ainda tenho muito que aprender, mas sem aquela ansiedade juvenil que nos assola aos vinte e poucos.

Esta tarde minha menina de quatro anos disse: “mamãe eu não sei esperar” e eu respondi “você aprende querida, nem que demore 30 anos, mas você aprende!”

Na idade do conforto não se teme a espera, não se anseia demais, não se perde tempo com as bobagens tão comuns na juventude. Aquilo que parecia tão importante e que consumia tamanha energia passa a ser algo simples e fácil de resolver e que sobra tempo para aproveitar as coisas boas da vida, sem ansiedade e com disposição, afinal ainda somos relativamente jovens com energia e muita vida pela frente.

A impressão que dá é que a idade do conforto nos dá a distância necessária das emoções para viver bem. 

Hoje é meu aniversário e estou muito feliz com a pessoa que me tornei. Agrada-me a figura da mulher que vejo no espelho e estou grata por tudo que consegui realizar até o dia de hoje.

Hoje começa meu ano novo, e é sem nenhuma ansiedade que desejo de coração que seja um ano tão bom ou melhor do que este que acaba de terminar.

Estou confortável e que venham mais 36, 37,38, 39…

Anna Carla

Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

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