Despretensiosa mas certeira em todos os aspectos One day at a time, deixa pra trás o original e mostra o que há de melhor em entretenimento

Ano passado comemorei bastante a chegada do revival “One day at a time” no streaming, com abordagem e roteiro super simples, de uma família cubana que vive nos EUA. A série entremeia assuntos super atuais e necessários de maneira leve e divertida.

Desafio

Superar uma primeira temporada bem sucedida é realmente um grande desafio! Já que o público que curtiu a primeira temporada está cheio de expectativas é mais que necessário manter o nível de qualidade, é tipo uma prova de fogo!.

Lidar com um público apaixonado pela primeira temporada pode ser um grande problema na segunda, no entanto, One day at a time consegue galgar um patamar ainda mais elevado!

*** Atenção: daqui para frente pode conter spoilers***

Depois de sair do armário

Na primeira temporada assistimos a trajetória de Elena se descobrindo homossexual em plena adolescência e lidando com isso e em cenas absolutamente comoventes conseguimos “calçar os sapatos dela”. Agora as questões são outras que vão muito além da auto-aceitação.

O roteiro aborda, por mais incrível que pareça, de maneira leve e didática,  temas como identidade de gênero e ritos de passagem que normalmente são complicados, como por exemplo, o primeiro relacionamento.

Xenofobia

O personagem Alex (Marcel Ruiz), que na primeira temporada servia mais como um coadjuvante proporcionando alívio cômico, cresce e aparece, desta vez com suas próprias questões trazendo à baila um caso de bulling e xenofobia na escola. Um assunto delicado abordado em um texto super cuidadoso.

 Humor politicamente correto

 A tabela de humor super bem sucedida na primeira temporada entre Elena (Izabella Gomez) , Penélope (Justina Machado) e Lydia (Rita Moreno) segue ainda abordando a diferença de gerações entre as personagens.

O resultado é ótimo, especialmente quando aborda as questões de gênero, porque é ao mesmo tempo super engraçado e esclarecedor. 

É uma super sacada,  abordar a existência de pessoas não-binárias e ainda fazer piada com a dificuldade, muito natural, da mãe e da avó em compreender estes conceitos já que para elas o contato com a comunidade LGBT é recente.

Diverte bastante sem ser simplório, e prova por A mais B, que é  possível SIM fazer humor de qualidade sem precisar ofender ninguém.

Durante toda a temporada são mescladas com humor belas discussões sobre o uso  doméstico de armas, sobre  civismo e a importância de votar,  e especialmente sobre estabilidade financeira e emocional, relacionamentos e desafetos.

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Penélope, estamos com você

Nunca vi na TV uma abordagem tão clara, tão sem rodeios dos transtornos de ansiedade e depressão.

Na primeira temporada Penélope, veterana de guerra, entra para um grupo de psicoterapia, e passa a se tratar com medicamentos para ansiedade e depressão pós-guerra. Terminou a temporada bem.

Do meio para o fim da segunda temporada, por vários questionamentos  acerca da própria vida, por estar em um novo relacionamento, ela acha plausível tentar deixar a terapia e os medicamentos, achando que podia dar conta de tudo  sozinha (quem nunca?).

Resultado: Penélope vai ao fundo do seu poço emocional, mergulha de cabeça no problema e em um dos episódios mais comoventes dessa temporada ela reconhece que precisa de ajuda.

Dá vontade de abraçar a personagem, pegar no colo…enfim, muito, muito emocionante. Aproveito para “pagar um pau imenso” para a Justina Machado, que atriz amiguinhos, que atriz!

A segunda temporada de One day at a time está disponível na íntegra na Netflix e eu recomendo fortemente que você assista.

Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.
Veja o perfil completo.


Anna Carla

Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer. Veja o perfil completo.

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