Para sacudir a poeira e dar a volta por cima é preciso o acolhimento de se reconhecer

Na primeira quarta-feira do ano eu levei um tombo cinematográfico. Na rua tropecei em um rejunte de calçada nova e voei longe. Detalhe cômico: eu estava a caminho da academia para a primeira aula de Pilates da vida, e foi a meia quadra antes de chegar na academia, tanto que quem estava na esteira que fica na janela que dá pra rua assistiu de camarote minha queda, mas eu dei a volta por cima.

Levanta, sacode a poeira

Vou confessar que fiquei com tanta raiva por ter caído que na hora nem senti dores, e mesmo estando toda ensanguentada declinei uma carona ao pronto Socorro oferecida por um casal transeunte.

Aceitei sim a ajuda de um rapaz para me levantar e como estava mais perto da academia do que da minha casa, “sacudi a poeira” e fui até lá para pelo menos me lavar e recompor antes de voltar pra casa.

Praticamente uma estréia

Imagina eu chegando na academia pela primeira vez toda machucada? Maior comoção, todo mundo veio falar comigo, o pessoal que tava na esteira e viu  a queda  ficou impressionado, um deles soltou “olha você voou sem asa!”

Mas você deve estar se perguntando porque eu trouxe esse assunto pra cá? Em uma auto análise em outros tempos eu ficaria sentada no asfalto chorando até que alguém viesse me socorrer, morreria de vergonha do tombo e JAMAIS iria para academia na seqüência!

O resultado dessa minha chegada na academia, mesmo eu não tendo condições físicas de fazer a primeira aula, foi acolhimento e bem por isso muito positiva.

Na aula seguinte cheguei na academia de cabeça erguida, ciente de todas as minhas limitações físicas em razão da Artrite, mas com a certeza de que estava  bem acolhida e pisando em território seguro. Em tempo: estou adorando o Pilates e está me fazendo muito bem!

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A raiva pode ser boa

A psicologia da raiva é que você queria algo e alguém lhe impediu de conseguir. Alguém veio como um bloqueio, como um obstáculo. Toda sua energia estava indo conseguir algo e alguém bloqueou a energia. Você não alcançou o que queria.

Agora essa energia frustrada transforma-se em raiva… raiva contra a pessoa que destruiu a possibilidade de realizar seu desejo.

(Osho)

No caso a raiva foi pelo acontecido, que me impediu de fazer a primeira de Pilates. Mas sentir a raiva até que o sentimento se esgotasse dentro de mim foi positivo porque não foi uma tristeza paralisante, a raiva me movimentou e me colocou numa rota de ação.

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Reconhecimento

Atribuo essa volta por cima, essa evolução de “coitada”  para “feliz”  a uma maturidade conquistada com muitas horas de psicoterapia. Reconhecer-se faz parte desse processo muitas vezes doloroso e cruel mas altamente necessário. Reconhecer minhas limitações físicas e emocionais transforma estas limitações em ferramentas para a superação.

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Esses dias a Érica Minchin falou algo no Instagram Stories exatamente neste sentido, se referindo a imagem e que na medida em que você aplica isso na sua imagem você pode expandir esse conceito de reconhecimento do que te representa na imagem para toda a sua vida.

Todo mundo pode

Olha se eu consigo esse tipo de superação, tipo dar a volta por cima, de olhar para os “defeitos”  ou “empecilhos” e transformar isso em ferramentas para evolução pessoal, penso que qualquer um consegue. Basta se olhar com mais carinho, ser mais atencioso e respeitoso consigo mesmo. É difícil no começo? Não vou mentir: é mesmo, da um trabalhão danado, mas é perfeitamente possível!

Reconhece a queda e não desanima

Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima

(Paulo Vanzolini)

No percurso pode tropeçar e até mesmo cair mas  ouve essa playlist e segura esse ânimo aí, tá bem?

Então tá bem!

Até qualquer hora!

Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.
Veja o perfil completo.


Anna Carla

Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer. Veja o perfil completo.

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