comportamento

Refletindo sobre rejeição

Para estreia da coluna de Psicologia, no Caderno de Cabeceira, escolhi um tema muito presente na rotina do consultório: a rejeição.

CC0 - Public Domain

Todos nós, em algum momento da vida, já experimentamos o desagradável sabor da rejeição. Crescemos dentro de valores sociais que vão, desde cedo, nos levando a formar conceitos sobre o que é bonito e aceitável, e o que é feio e reprovável. Passamos então a identificar, em nós mesmos, algumas características consideradas feias e começamos a busca pelo “eu ideal”, aquele que tem a aprovação e o amor dos outros.

Na infância acontecem as primeiras experiências de amor e pertencimento, na família, na escola e com os amigos. O que todos nós queremos é nos sentir pertencentes. As críticas e julgamentos recebidos nesta etapa da vida vão trazendo muitas repercussões do ponto de vista emocional e aflorando uma autocrítica muito grande, fazendo com que, temendo a reprovação, passemos a esconder e reprimir muitas características da nossa personalidade.

Uma pessoa que tem a infância carregada de desvalorização e abandonos, poderá formar um julgamento desfavorável de si mesma. Não sendo aceita pelas pessoas que são importantes para ela, passa a não se aceitar também, trazendo consequências que limitam as suas realizações e as relações interpessoais.

Na vida adulta, o sentimento de rejeição, muitas vezes, está presente nas relações amorosas, familiares, sociais e de trabalho. Quando uma relação amorosa não progride, quando um familiar não nos aceita, quando somos recusados em um processo seletivo, ou quando nossos esforços no ambiente de trabalho não são reconhecidos e assim por diante.

A maneira como percebemos e lidamos com a rejeição está muito vinculada com a nossa autoestima e nosso autoconceito, com aquilo que pensamos e sentimos a nosso respeito. É normal que a rejeição cause dor, já que existe uma frustração quando não temos o retorno do investimento afetivo que fizemos em uma situação ou em alguém. É preciso permitir-se sentir, mas é necessário superar e seguir em frente.

Analisar os próprios sentimentos e refletir sinceramente sobre eles pode ser um bom caminho. Observar aquilo que estamos rejeitando em nós mesmos, quais são os aspectos da nossa personalidade que temos dificuldade de aceitar. É importante olharmos para a nossa vida, avaliando sobre os motivos que estão fazendo com que ampliemos tal situação de rejeição.

Quando não modificamos o nosso padrão mental, tendemos a buscar situações e relacionamentos que nos fazem ter a mesma sensação de rejeição. É necessário repensar alguns comportamentos e assim, promover mudanças significativas.

Muitas vezes, a impossibilidade de uma relação, seja ela amorosa, de amizade, familiar ou profissional, pode ser uma oportunidade de reestruturação e redescoberta. É clichê, mas verdadeiro, precisamos primeiro investir o amor em nós mesmos, valorizar nossas conquistas e qualidades, abandonando comportamentos improdutivos, para então estarmos disponíveis para momentos e relações saudáveis, como merecemos.

Não podemos depositar no outro as nossas expectativas e a responsabilidade pela nossa felicidade, o ser humano é livre e responsável por suas escolhas.

Quando estamos muito fragilizados e deprimidos com o histórico de rejeições vividas, prejudicando a maneira como estamos conduzindo a nossa vida, é hora de buscar ajuda profissional. Procure um psicólogo.

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“Eu faço as minhas coisas e você faz as suas.

Eu não estou neste mundo para satisfazer as suas expectativas.

E você não está neste mundo para satisfazer as minhas.

Você é você, e eu sou eu.

E, se por acaso, nós nos encontrarmos, será lindo.

Se não, nada pode ser feito.” (Frederick Perls)

Bruna Szegedi
Psicóloga pela Universidade Católica de Santos, especialista em Psicologia e Saúde: Psicologia Hospitalar pela PUC-SP.
Atualmente realiza atendimento clínico, palestras, treinamentos e consultorias na Baixada Santista, tendo a atuação voltada a Psicologia Infantil, Psicologia Perinatal (Gravidez, parto, puerpério, amamentação e perda gestacional), Saúde da Mulher e Situações de Luto ou Adoecimento.

3 thoughts on “Refletindo sobre rejeição

  1. Muito Interessante o Artigo. Fui Rejeitado Muitas Vezes Quando Criança Porque Era Gordinho e Demorei Muito Para Entender o Quanto Isso Influenciou na Formação da Minha Personalidade. Graças a Deus Hoje Me Sinto Muito Bem Comigo Mesmo.

  2. Olá! Muito interessante o artigo. Quando eu era criança sofria com a rejeição de alguns amigos porque era muito gordinho. Demorei muito para aprender o quanto isso influenciou o meu comportamento na fase adulta.
    Hoje, graças a Deus me sinto livre de tudo isso, pois sei exatamente o meu valor.

  3. Eu acho que neste mundo não existe uma unica pessoa que não sofreu rejeição, o importante é superarmos isso com leitura de bons livros e conteúdos como este.

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