cinema

Oscar 2017: Mais diversidade e debate político

 

Crédito: Divulgação

A tradicional festa em meio a um dos mais complicados anos para os EUA

Após o conturbado ano quando a Academia recebeu duras críticas a respeito de sua falta de inclusão racial nas indicações, principalmente no que tange às atuações, pela primeira vez na história vemos pelo menos um negro indicado em todas essas categorias, sendo que nada menos que 3 estão na de atriz coadjuvante, um outro recorde.

Também, com a avalanche proporcionada principalmente pelas redes sociais, nada mais natural do que promover a inclusão, prestando atenção em filmes que proporcionam a diversidade. Neste ano, tivemos o destaque para Moonlight: Sob a Luz do Luar, sobre a juventude de um negro homossexual em Miami, Um Limite entre Nós, filme de Denzel Washington, com Viola Davis também no elenco, Estrelas Além do Tempo, sobre mulheres negras a serviço da Nasa nos anos 60, e Loving, filme que trata de relação inter-racial.

Montagem de atores negros indicados. Crédito: Divulgação

Mas o que se destacará nessa premiação não serão apenas os astros passando pelo tapete vermelho, mas sim seus discursos de agradecimento, que certamente focarão no atual momento político americano, tão debatido pela classe artística. A vitória de Donald Trump e seu chocante início de gestão, causador de sérios conflitos diplomáticos em âmbito mundial e protestos em nível doméstico, serão base para a toada da cerimônia. O apresentador Jimmy Kimmel, famoso por seu talk show, e os potenciais vencedores da estatueta, prometem fazer o conteúdo da noite como o mais politizado de todos os tempos.

Crédito: Divulgação

Uma categoria que promete trazer a questão política à tona é a de documentário, temos diversas produções que tratam de refugiados, como o curta 4,1 Miles e do conflito na Síria, como o The White Helmets. Também o viés do preconceito racial mostra-se evidente nos longas O. J.: Made in America, sobre o contexto em que o famoso atleta foi julgado pelos assassinatos de sua ex-esposa e seu amigo, A 13.ª Emenda, que fala justamente da situação carcerária americana e sua relação com a abolição da escravatura, e Eu Não Sou Seu Negro, que fala da vida de ativistas da causa racial.

Para comprar online acesse: http://rede.natura.net/espaco/annacarla
Publicidade

Nos bastidores de acontecimentos recentes em relação a esta cerimônia, podemos citar a gafe da Academia em divulgar equivocadamente, que Amy Adams e Tom Hanks teriam sido indicados, pelos filmes A Chegada e Sully: O Herói do Rio Hudson, respectivamente.

Outra notícia que se destacou foi o fato de que, a princípio, um dos indicados a melhor filme estrangeiro, e já ganhador do Oscar no passado, não poderia comparecer à cerimônia, por conta de um decreto do presidente americano, que proibia o ingresso de pessoas provenientes de alguns países do Oriente Médio, entre eles a Síria.

Os indicados a Melhor Filme são:

La La Land: Cantando Estações – É o favorito com o recorde de indicações. Um resgate aos grandes musicais de antigamente.

A Chegada – Ficção científica tratada com profundidade e sensibilidade.

A Qualquer Custo – Filme policial, de assalto a bancos, ambientado no interior do Texas;

Estrelas Além do Tempo – Mulheres negras que foram destaque na NASA na corrida espacial. História real.

Um Limite entre Nós – Baseado em peça teatral e dirigida por Denzel Washington, traz um drama profundo e avassalador sobre a condição humana.

Lion: Uma Jornada para Casa – Um filme que poderá levar às lágrimas, sobre o amor que temos a nossos familiares.

Manchester à Beira-Mar – Mais um drama que envolve família, com pesado, mas igualmente eficaz.

Moonlight: Sob a Luz do Luar – A vida problemática de um garoto, com todas as adversidades que podem ser imaginadas.

Até o Último Homem – A redenção de Mel Gibson, voltando às cadeiras de premiações com sua produção de guerra.

Como toda a cerimônia, teremos as tradicionais apresentações musicais, com destaque para duas canções do filme La La Land: Cantando Estações, uma canção tema do filme da Disney Moana: Um Mar de Aventuras, e mais dois artistas prestigiados: Justin Timberlake, com o filme Trolls, e Sting, com o documentário Jim: The James Foley Story

Montagem de Sting e Justin Timberlake, artistas que se apresentarão. Crédito: Divulgação

Enfim, mais uma noite, com um quê de protesto artístico, onde poderemos mais uma vez observar a tendência de Hollywood no que a elite cinematográfica entende como merecedor da estatueta.

Pipoca na mão, controle apontado, e bons filmes!

Gabriel Escudero

Especialista em cultura pop. Cinéfilo graduado em curso de crítica. Pai de dois sapecas. Escreve sobre cinema e entretenimento.

Comente