Filme mostra surgimento do movimento homossexual no país nos anos 70 e 80 através do jornal criado por jornalistas e intelectuais de São Paulo e Rio de Janeiro

Documentário foi exibido em sessão especial na última edição do festival É Tudo Verdade e logo estará disponível nos cinemas de todo o Brasil

Foto divulgação

“Lampião da Esquina”, documentário sob direção de Lívia Perez e coprodução de Doctela e Canal Brasil, estreia dia 18 no CineSesc e fica em cartaz até o dia 23 de agosto. O filme conta a história do jornal Lampião, importante publicação da imprensa alternativa nos primórdios do movimento homossexual no Brasil.

Com a participação do dramaturgo Aguinaldo Silva, do escritor João Silvério Trevisan, do poeta Glauco Macoso, do produtor cultural Celso Curi, do antropólogo Peter Fry, entre outros entrevistados, o documentário conta como um grupo de jornalistas, intelectuais e escritores criou o Lampião, um jornal crítico, pluralista e partidário, que expôs o descaso e preconceito contra os homossexuais e as minorias sociais, exibindo um ponto de vista homossexual sobre diversas questões, inclusive a sexualidade. O filme ainda traz entrevistas com figuras constantes nas páginas do Lampião como o cantor Ney Matogrosso, a cantora Leci Brandão e o cantor Edy Star, além da participação de Winston Leyland, editor do Gay Sunshine, publicação americana gay pioneira no mundo e que influenciou o Lampião. Os entrevistados expõem os fatos, mas também emitem reflexões pertinentes sobre o conservadorismo da época, as brechas na censura e o papel de libertação representado por um veículo dedicado aos gays, lésbicas e transexuais. Os entrevistados partem do Lampião para efetuar um panorama rico dos costumes de um país em transformação.

“Lampião da Esquina” revisita o Brasil do final dos anos 70, quando todos buscavam desesperadamente um pouco de liberdade, inclusive a comunidade homossexual. É assim que em 1978, pré-epidemia da aids e pré-abertura política, chegava às bancas brasileiras o primeiro jornal destinado ao público gay. Inspirado por um lado no jornal Gay Sunshine, e por outro nas publicações “nanicas” brasileiras (como Pasquim), o Lampião levantava a bandeira da diversidade, sem ser chato ou acadêmico mas sendo anárquico e debochado. Bom humor e autocrítica faziam parte da receita editorial, refletindo o jeito de ser da própria comunidade que retratava.

“A volta do esquadrão mata‐bicha”, “Repressão: essa ninguém transa”, “Louca e muito da baratinada” e “Fortíssimo babado” eram algumas das manchetes publicadas no Lampião, que desfrutava libertinamente da língua portuguesa. A publicação não só celebrava a cultura homossexual, como também denunciava crimes de ódio contra gays, mulheres, negros e índios. “Há uma linguagem da subcultura gay. E é essa que vamos usar pra falar no jornal”, relata no filme o escritor e cineasta João Silvério Trevisan, que compunha a equipe.

Para ilustrar esses causos, a arte do filme faz montagens divertidas com trechos do jornal. E a trilha sonora, assinada por Paulo Azeviche, relembra canções homoeróticas brasileiras como “Androginismo”, da dupla de irmãos Kleiton e Kledir, que nos anos 70 formavam a banda Almôndegas.

“Quem é esse rapaz que tanto androginiza, que tanto me convida pra carnavalizar?  Que tanto se requebra no céu de um salto alto, que usa anéis e plumas a lantejoulizar?”, diz a letra – mais que propícia.

O Lampião causou polêmica denunciando o machismo dentro da esquerda. Em julho de 1979, publicaram uma entrevista com Lula chamada “Alô , alô classe operária: e o paraíso, nada?”. Eles passaram alguns dias no ABC paulista ouvindo operários e dirigente sindicais e, entre as muitas declarações polêmicas, estão as de Lula que afirmou que “feminismo é coisa de gente que não tem o que fazer” e que homossexualidade na classe operária era algo que ele “não conhecia”.

Assim o filme traz um pouco da personalidade arrojada de seus membros e da expansão de temas que o Lampião trouxe para a pauta da imprensa brasileira: Racismo, aborto, drogas e prostituição: tudo interessava ao jornal Lampião, que estreou em abril de 1978 e durou por mais 37 polêmicas edições, até 1981.

Em formato tablóide o jornal tinha editorias fixas como “Cartas na Mesa”, onde as cartas dos leitores eram publicadas e respondidas, “Esquina” onde eram reunidas notícias, “Reportagem”, onde sempre a matéria de capa estava localizada, e a partir do número cinco a coluna “Bixórdia”. Além das editorias fixas sempre havia espaço para informações culturais, como indicações de livros, exposições, shows e filmes; e também para entrevistas. A produção do conteúdo era feira pelos conselheiros editoriais e também por convidados que variavam a cada edição. O Lampião inicialmente estava mais preocupado em retirar o gay da margem social, e aos poucos foi abrindo também o discurso às minorias.

Veja o trailer:

Serviço:

Filme: “Lampião da Esquina” Lançamento: 18 de agosto de 2016, às 18h e 21h30 Exibição: de 19/08 a 23/08/16, às 18h e 21h30 Local: CineSesc – Rua Augusta, 2.075, Cerqueira Cesar – São Paulo/SP – Tel. (11) 3087-0500 Bilheteria: dom. a seg. 14h/21h30. Site: https://www.sescsp.org.br/unidades/2_CINESESC/ Valores: Quarta – R$ 12,00 (inteira) | R$ 6,00 (meia) | R$ 3,50 (carteirinha do Sesc) Segunda, terça e quinta – R$ 17,00 (inteira) | R$ 8,50 (meia) | R$ 5,00 (carteirinha do Sesc) Sexta, sábado, domingo e feriados – R$ 20,00 (inteira) | R$ 10,00 (meia) | R$ 6,00 (carteirinha do Sesc)

Classificação etária: 16 anos

LAMPIÃO DA ESQUINA (2016, 
85 minutos)

Para comprar acesse: http://rede.natura.net/espaco/annacarla

Publicidade

Direção: Lívia Perez

Produção: Doctela

Coprodução: Canal Brasil

Produção Executiva: Giovanni Francischelli

Codireção: Noel Carvalho

Fotografia: Felipe Vieira, André Menezes

Montagem: Henrique Cartaxo

Apoio: Rio Film Commission, DOTCINE, Termas for Friends, Cantina Piolim

Realização: Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, ProAC

Entrevistados: Aguinaldo Silva, Ney Matogrosso João Silvério Trevisan, Luiz Carlos Lacerda (Bigode), Glauco Mattoso, Celso Curi, Antônio Carlos Moreira, Peter Fry, João Carlos Rodrigues, Winston Leyland, Dolores Rodrigues, Leci Brandão e Edy Star.

Por Flávia Durante


Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer. Veja o perfil completo.

1 Comentário

willy · 01/02/2017 às 12:51 am

Seeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeesaaaaaaaaaaaaaccccccccciiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiooooooooooooooooonnnnnaaaaaaaaaaallllllllll a todos que realmente lutam por igualdade racial…. sexual e política!!!!!!!!!!!! assitam…… mulekada…..

Comente

pt_BRPortuguese (Brazil)
pt_BRPortuguese (Brazil)
%d blogueiros gostam disto: