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A coragem de seguir em frente

A motivação para mudar ou alterar um cenário significativo em nossas vidas se dá somente quando algo nos traz insatisfação ou nos coloca em uma posição extremamente desconfortável. Mudanças profundas surgem a partir de momentos de desordem, porém, algumas vezes precisamos mudar sem estarmos preparados para isso. Algumas vezes precisamos mudar porque algo de fora mudou sem o nosso controle.

A verdade é que nem sempre as coisas acontecem como gostaríamos. Não importa quantos desejos, quanta energia, quanta dedicação ou quanto amor coloquemos, algumas coisas inevitavelmente acabam. E isso é maravilhoso.

Após cada fim, cabe a cada um de nós levantar a cabeça, recolher nossos pedaços e nos reconstruir, agora mais fortes e mais experientes.

Com o tempo, saber fechar ciclos torna-se mais importante do que criar novidades, pois insistir em viver algo que não mais existe é se agarrar ao passado e o passado deve ser apenas um ponto de referência e não um lugar de moradia.

O sofrimento de perder um emprego, um amor, uma pessoa querida ou alguma coisa de valor é extremamente natural. Temos todo direito de viver a decepção, o luto, a raiva e a tristeza da maneira que aparecer e depois, também é nosso direito, para com nós mesmos, seguir em frente.

fonte: sorisomail.com/
fonte: sorisomail.com/

Precisamos aceitar que o passado não pode ser mudado e que aquela pessoa que você era quando viveu aquilo não mais existe. Aceitar que a mudança é uma de nossas únicas garantias na vida e que se ela veio, foi porque alguma parte construiu algo de valioso em si. Crescer também gera mudanças que podem ser profundas a ponto de não mais fazer sentido estar onde se está.

A vida é o maior professor que teremos e de certa forma todos os acontecimentos podem nos trazer a percepção de quem somos, do que queremos e do que podemos melhorar. Não adianta sentarmos em uma zona de conforto esperando o mundo não se mover para que o falso equilíbrio que criamos em nossa mente permaneça imutável. Não, o equilíbrio do mundo está justamente em seu movimento, fim e início, mas para que possamos perceber isso, precisamos antes de tudo aceitar as finitudes. Deixar que o presente nos traga vida nova e que o passado com todo valor que possui, fique em seu próprio lugar.

Não existe data, não existe momento certo, não existe “estar pronto para isso”. Quando as circunstâncias mudam, bater o pé e insistir em manter aquela realidade ilusória dentro de si já não faz mais sentido. É como tentar cultivar uma fruta fora do pé. Inevitavelmente ela se deteriorará e apodrecerá.

Passamos então a apenas sobreviver. Deixamos de lado qualquer possibilidade de vida plena e por tanto desgaste, sobrevivemos até cada próximo dia, em uma batalha interna que já desistimos de travar. Chegamos a acreditar que não existe saída e que a vida é assim mesmo, um eterno sofrimento.

Tudo o que não deve existir dentro de nós nos amarra. Ter lembranças recorrentes de algum fato não tão agradável, memórias que insistem em voltar sobre alguém que não está mais em nossa vida, pensamentos sem controle sobre o passado são sinais de que algo do passado se faz presente e é muito possível que esse algo nos impeça de seguir em frente.

Só conseguiremos seguir em frente quando chegarmos a um acordo com nosso passado e isso significa aceitar, perdoar e compreender. Aumentar nossa reflexão interna e perceber o que buscamos nesse passado que volta tantas vezes, bem como os nossos motivos para não soltá-lo. A partir desta consciência e lucidez, podemos renascer para um mundo de possibilidades que não eram sequer vistas.

Devemos estar conscientes de que a nossa saúde mental é responsabilidade nossa e que o que acontece hoje é consequência de nossas atitudes, posturas, expectativas, pensamentos e palavras do passado, portanto, para um melhor resultado precisamos aceitar o que já existiu e ter pensamentos e comportamentos mais alinhados ao que somos hoje, assim, plantaremos boas sementes para o resultado de amanhã.

A princípio, pode não ser tão fácil passar por essas mudanças, mas sem sombra de dúvidas, o resultado é muito melhor do que manter-se estagnado em algo que se apodrece dentro de nós. Libertar-se das amarras do passado escancara portas de possibilidades, pois fechamos aquele ralo que drenava nossa energia e podemos direcioná-la para algo muito mais produtivo e assim, passamos a perceber a generosidade da vida.

Para que exista uma verdadeira renovação, precisamos deixar que o que não é mais útil vá embora e reciclar nosso lixo emocional. Chega a ser redundante, mas o único caminho para a transformação interna é de dentro pra fora, conhecendo-se, aceitando-se e permitindo que novas flores nasçam em nosso jardim.

Abrir mão dos que nos amarra e desatar nós é um ato de bravura e coragem. Talvez esse seja o momento de abandonar aquela velha e desconfortável máscara e realmente olhar-se de frente.

É chegada a hora de olhar para a vida e escrever um novo capítulo.

Thales Paiva

é psicólogo, coach e palestrante. Desenvolve trabalhos voltados para a descoberta da missão e propósito de vida das pessoas.
Seus textos são sobre comportamento, conquista de objetivos e propósito de vida.

3 thoughts on “A coragem de seguir em frente

  1. Conhecer nossa realidade e se reinventar quando estamos movidos pela necessidade de mudança. Considero coragem uma das maiores armas que movem os homens. Ótimo texto

  2. Eu quero te dizer que era isso que eu estava precisando ouvir, sair da zona de conforto é uma das coisas mais difíceis que existe, a gente se apega a coisas ruins, mesmo sabendo que são ruins, temos medo de desapegar.

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