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Em qual Mentira vou Acreditar

Levanta de manhã despido das farsas de viver, mas antes do café já colocou a máscara de sorriso e felicidade.

Ao sair, encontra sorrisos tão sinceros quanto os seus e se pergunta os motivos de todos estarem felizes, de todos estarem bem e de todos terem tudo no lugar, quando a sua vida parece a única que virou de cabeça pra baixo depois de sair aos avessos da barriga de Moby Dick.

fonte: blog.luz.vc
fonte: blog.luz.vc

Entre uma mentira aqui e outra ali, construímos histórias tão grandes, com pequenas inverdades tão amarradas, que precisamos nos tornar mestres nas estórias que inventamos. Uma mentira pequena acaba tendo que ser sustentada por outra pra fazer sentido e esta por sua vez precisa de mais uma e temos uma rede de falácias que acabamos nem lembrando onde começou, e o pior, não sabemos nem ao menos como terminar.

É fato que a mentira é necessária para a preservação das relações sociais e que nem sempre é saudável importunar outros com algumas verdades. O problema acontece quando passamos a acreditar nessas mentiras.

Desde os mais remotos tempos de civilização, precisamos mentir para conseguir algumas coisas. O ser humano mais primitivo já mentia para conseguir parceiros sexuais, benefícios em riqueza, status e dominância sobre os outros e o que mais fosse possível para se beneficiar. Milhares de anos se passaram e aparentemente pouca coisa mudou.

A mentira sempre existiu. Uma das maiores necessidades do ser humano é a de autoestima e só a conseguimos quando pensamos que não somos um fracasso total. Para tal, precisamos convencer os outros disso também e aí deslizamos.

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Com o avanço dos meios de comunicação, cada vez mais as pessoas são levadas a mostrar a própria vida e cada vez menos toleram as frustrações ou a verdade por trás das emoções que não são tão agradáveis.

Passamos a rejeitar nossos próprios tormentos quando alguém mostra a abundância de felicidade e como é maravilhosa a vida que tem. Chega a ser até injusto admitir que temos medos e tristezas, afinal, como vamos dizer que quando estamos sozinhos, deitamos no travesseiro e choramos nossas angústia enquanto o meu vizinho está  em alguma praia paradisíaca fora do país?

Embora a mentira sempre tenha existido, as redes sociais nos trouxeram a farsa do viver. A mentira que pode correr o mundo em um click. A mentira que faz pessoas consumirem mais e mais por um ideal de vida onde aparentando felicidade podemos convencer qualquer um que somos perfeitos e vivemos genuinamente aquela máscara de sorriso que colocamos quando nos levantamos.

Mentimos porque queremos pertencer e temos o sentimento da impossibilidade de os outros nos apreciarem e compreenderem inteiramente a nossa vida imperfeita ou nossas ações.

“Como gostar de alguém que faz o que eu faço? Como gostar de alguém que é quem eu sou?”

No fundo, todos vivemos essas mentiras e não percebemos como somos iguais em nossas imperfeições. Se estas farsas não existissem, talvez fosse mais fácil aceitar os outros e a nós mesmos.

Mentir é provar que não estamos contentes com quem somos e que o melhor que temos a fazer é fingir ser qualquer outra pessoa. Assim tentamos ao máximo buscar uma imagem de quem gostaríamos de ser ou ter sido e empurramos cada vez mais pra baixo a nossa real essência que às vezes nem sabemos como pode ser brilhante e preciosa.

A verdade é que você mente.

A verdade é que você mente todo dia.

Thales Paiva
é psicólogo, coach e palestrante. Desenvolve trabalhos voltados para a descoberta da missão e propósito de vida das pessoas. Seus textos são sobre comportamento, conquista de objetivos e propósito de vida.

3 thoughts on “Em qual Mentira vou Acreditar

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