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Entendendo o Universo de Star Wars

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Foto: divulgação

Uma visão geral para você chegar preparado para O Despertar da Força!

Estamos chegando em uma época onde parece que o único assunto é a estreia do novo filme do Star Wars. Mas por que isso é importante? Certamente a saga de George Lucas marcou a geração do final dos anos 70/começo dos 80. A criança daquela época é o quarentão de hoje.

E falamos em “marco” de forma bem apropriada, pois essa série marcou o início de uma prática comercial bastante comum hoje em dia em filmes comerciais. Foi com Star Wars que começaram a pensar no merchandising envolvendo a produção. Action Figures, jogos, e outros produtos relacionados à história, que vendem tanto que chegam a superar o faturamento do filme em si.

Ou seja, pensem comigo: quando se trata de brinquedos relacionados a filmes, tudo começou com Star Wars.

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Mas do que se trata essa trilogia clássica? É uma homenagem aos seriados de matinês que dominavam as salas nos anos 30-40, notadamente as de aventuras espaciais como Flash Gordon e afins. Notem também que George Lucas também fez algo bastante parecido com sua outra criação: Indiana Jones, desta vez referenciado seriados de aventuras arqueológicas. Era um projeto no qual se queria transformar os seriados em grandes produções cinematográficas.

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Inclusive, essa questão de episódio foi criada justamente para dar ainda mais ênfase no caráter narrativo que a saga iria tomar. Cada filme seria um episódio (como nos seriados) e a intenção de Lucas seria lançar diversos filmes, contando uma história que fosse se ligando a um todo.

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Um dos charmes da trilogia clássica (que se perdeu na nova trilogia) era o uso de efeitos práticos para demonstrar tanto alienígenas como naves e cenários. Por mais estranho que possa parecer, o uso de próteses de borracha, suportes, fios, era muito mais convincente do que os efeitos de computador que vemos hoje em dia. Um exemplo foi o Mestre Yoda, que era uma marionete engraçada e vivaz na forma clássica, tornando-se um desenho soturno e tedioso na versão recente.

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E nem precisamos falar das inúmeras alterações que o criador da série fez no decorrer do tempo, incluindo efeitos, mudando aspectos e diálogos, e principalmente, até alterando o caráter de determinados personagens, sendo notória a mudança da cena em que Han Solo (Harrison Ford) atira em um caçador de recompensas numa mesa de bar. Originalmente, ele atiraria primeiro, o que demonstra sua frieza e falta de apreço às condutas moralmente corretas. Com as alterações, houve a inclusão de um tiro e sua ação passou a ser defensiva, o que muda completamente a visão que temos do personagem.

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Aliás, engana-se quem acha que o primeiro filme é chamado de “episódio IV” porque o cineasta não queria ainda filmar os 3 primeiros. Não. A ideia inicial seria que fossemos colocados na história, na saga, já no meio dos desenvolvimentos, sem preocupações de se explicar tais e quais conceitos. Curiosidade: quando foi exibido originalmente “Guerra nas Estrelas” não tinha o “episódio” cravado no subtítulo. Apenas nas continuações é que se firmaram os números V e VI. Quando lançado em home video, incluiu-se lá a numeração no filme original.

Ai, com o sucesso da série clássica, e ainda com as inúmeras referências em produtos lançados, como jogos, livros, quadrinhos e programas de TV, George Lucas decidiu que faria mais alguns filmes para o cinema: uma trilogia anterior e outra posterior. Começou então, com os episódios I, II e III, numa tentativa de retomada, de revigorar a série, uma trilogia de “prequência”, contando uma história do que aconteceu antes da trilogia clássica. Mas não houve o mesmo encanto, o mesmo ritmo, a mesma qualidade do anterior.

Esses filmes foram muito criticados, não só pela falta de vida em seus cenários e uma plasticidade irreal de sua montagem, mas também um roteiro pedestre que, embora tratasse de uma complexidade política maior, não tratou de criar narrativas que fossem mais atraentes, chegando a ridículos de frases e condutas de personagens que acabaram por trazer várias críticas negativas e deixar a franquia um pouco menos exitosa.

Em 2012, a Disney comprou a Lucasfilm, que é a produtora de filmes como Star Wars e Indiana Jones. Assim, já decidiu-se que se faria mais um filme da série: o Episódio VII, que falaria sobre eventos posteriores aos da trilogia clássica.

Mas aí já tinha tanta história sendo contada em tantas e tantas mídias diferentes, que tiveram que fazer uma reunião executiva e decidir: “O QUE É QUE ESTÁ VALENDO OFICIALMENTE PARA STAR WARS? “ É o chamado cânone de Star Wars, ou seja, é a história oficial e seus acontecimentos refletem diretamente ao que vemos no cinema. Tudo o que estiver fora do cânone, é considerado como universo expandido, uma realidade meio que alternativa que pode ou não ser considerada nas produções mais recentes.

E o que se decidiu? TODOS OS FILMES, MAIS A SÉRIE THE CLONE WARS (2008), SÃO CANÔNICOS. O resto, é universo expandido, sem muita relevância para o nexo da série.

Este É canônico
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E ainda: TODOS OS PRODUTOS LANÇADOS APÓS 25 DE ABRIL DE 2014 TAMBÉM SERÃO CANÔNICOS, o que inclui a nova série Star Wars Rebels, os novos quadrinhos Marvel e os livros lançados após essa data.

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Assim, séries como Droids, Ewoks, os filmes Caravana da Coragem e sua sequencia Batalha de Endor, e ainda a série Clone Wars (do Genndy Tartakovsky, não confundir com a de animação CGI acima) NÃO SÃO CANÔNICOS. 

Este NÃO é canônico
Este NÃO é canônico

“Ah, mas eu quero ver esse filme novo, mas não lembro ou não conheço os anteriores. O que faço?!” Nada! Tenho certeza que não há necessidade de qualquer background para se curtir o novo filme da saga. A Disney não iria arriscar essa importante marca, produzindo um filme que não se sustentasse por si só. Não garanto para os próximos filmes, mas estou convicto que para essa primeira parte da nova trilogia, JJ Abrams (o diretor do filme) quis preparar tudo para a nova geração. São novos protagonistas, uma nova época, um novo paradigma.

Claro que todos os temas que dão sustentação à saga estarão lá: a espiritualidade da entidade chamada Força, suas tendencias tanto pelo lado sombrio como do luminoso, os sabres de luz, a questão familiar do clã Skywalker, e a profecia do Salvador da Pátria, a questão política de império, república, rebeldes e tudo mais. Enfim, todos os elementos para um legítimo filme de Star Wars. Mas nada que você não sabendo profundamente não deixará de curtir a história.

Esses outros produtos audiovisuais são importantes apenas para fins de imersão no universo. Não necessariamente servem para um entendimento da história que será tratada principalmente a partir desde novo filme O Despertar da Força. Ou seja, se realmente o filme for bom, ele não será submisso a qualquer explicação prévia, pois filmes bons são bons por eles mesmos, e não por outros meios.

Recentemente tivemos um bom exemplo de filme bom que, apesar de fazerpate de uma série, tem elementos que são suficientes para um pleno aproveitamento na tela: Mad Max: Estrada da Fúria. Certamente, quem não viu (ou não lembra) dos anteriores (esse foi o 4º filme) curtiu da mesma forma a produção. Aliás, o fato de não se depender em narrativas prévias foi o diferencial para o destaque do filme. Além da utilização de efeitos práticos para suas cenas de ação. Praticidade esta prometida para a nova produção de Star Wars. Vejam o paralelismo!

Mas se quiserem ter alguma referência para ir ao cinema preparado, já ambientado para o que vão experimentar, recomendo que assistam à trilogia clássica (Episódios IV, V e VI). Primeiro para ter uma noção do clima da saga que tanto agrada os fãs, com o charme de seus personagens e sua narrativa ágil que foi a marca do sucesso, e segundo para acompanhar a linha do tempo justamente na sequencia dos acontecimentos.

Até a próxima!

Gabriel Escudero
Especialista em cultura pop. Cinéfilo graduado em curso de crítica. Pai de dois sapecas. Escreve sobre cinema e entretenimento.

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