comportamento

Do Apego ao Amor

Agarrar-se a alguém ou a algum relacionamento mostra somente que as nossas maiores necessidade de pertencimento e de preenchimento do ego precisam ser supridas.

A força dedicada ao apego é proporcional ao sofrimento da perda. Quanto mais nos agarramos a algo, maior o medo de perder, porque maior é a necessidade deste algo em nossas vidas.

Quando o relacionamento envolve a expectativa de gerar felicidade no outro através de si ou de ser feliz através do outro, entramos em terrenos complicados, onde nenhum dos indivíduos possui controle algum, já que a subjetividade do que é ser feliz é estritamente individual.

Muitas vezes nos deparamos com pensamentos de que quanto mais nos agarramos a algo ou alguém, mais mostramos o quanto nos importamos com isso, quando na realidade o oposto é real. Quanto mais tentamos prender algo, mais mostramos a nossa incapacidade em lidar com a ausência ou com os nossos próprios conteúdos. Mostramos o medo de nos ferir com o que temos ou muitas vezes com a falta do que buscávamos no outro.

Esperar receber do outro tudo o que nos falta, é esperar que a solução para nossas necessidades e angústias venha como um presente embrulhado em forma de pessoa que magicamente soluciona todos os nossos problemas e assim poderemos viver felizes para sempre.

Quando se inicia algum tipo de relacionamento, projetamos no outro a expectativa de ideias, desejos e todo tipo de fantasia que gostaríamos que fosse verdade e que tentamos incessantemente confirmar, mentindo para nós mesmos e em algum momento acabamos nos frustrando com o outro, quando na verdade, tudo o que esperávamos estava apenas em nossas cabeças e o outro talvez nunca estivesse disponível, disposto ou preparado para nos proporcionar aquilo.

Embora o outro possa me oferecer infinitas sensações, emoções e sentimentos prazerosos, somente eu saberei o caminho da minha própria felicidade. Pode ser que o que me é oferecido seja parte disso, mas isso nunca me bastará.

Como seres mutáveis que somos, o que me realizava um dia já não necessariamente me satisfaz mais e preciso de algo diferente, que não precisa ser maior ou menor, mais complexo ou mais simples, só não é mais aquele anterior.

Perceber que as pessoas mudam e aceitar que se pode viver com isso e ser parte disso é a chave para relacionamentos duradouros em qualquer esfera. A criança muda, o adolescente muda, o adulto muda e é isso que traz as melhores (e algumas vezes as piores) sensações da vida.

Se nos colocarmos conscientes da finitude da vida, automaticamente percebemos que sensações, sentimentos e emoções também de alguma forma possuem fim e por isso deveríamos aproveitá-las e vivenciá-las ao máximo quando estão presentes, já que um dia serão parte de um passado que valeu a pena ser vivido e que trouxe lições e sabedoria ao presente.

12227606_197993217200009_2297936901163594869_nViver deste passado nos traz dor por não ser possível mais estar lá, por isso mais uma vez precisamos estar conscientes de que o passado existe por sermos quem somos e que podemos construir um presente melhor ainda com todos os frutos colhidos.

Na forma ideal, nos conhecermos, percebermos as nossas lacunas e preencher com o melhor que existe em nós nos leva a distribuir esta forma de percepção ao mundo e a reconhecer o mesmo no outro. Isso significa que ao estarmos preenchidos de nós mesmos, somos capazes de admirar e contemplar as semelhanças e diferenças no outro, aceitando que de alguma forma qualquer pessoa pode fazer isso com a própria existência e o encontro de indivíduos se dará como uma contemplação mútua onde um transborda o que há de melhor em si para o outro.

Ninguém é perfeito, todas as pessoas estão travando alguma batalha interna e esperar que o outro venha para suprir o que falta na nossa é impedir que a batalha dele seja vencida e aí entramos na mais sutil e ao mesmo tempo escancarada forma de egoísmo, em que esperamos apenas que nossas necessidades sejam resolvidas.

Aprender a humanizar o próximo e não esperar o super herói que salvará a nossa existência é se colocar como igual em um mundo onde cada um de nós possui vários dragões para derrotar.

Então meus caros, nada mais justo do que irmos à luta e se por ventura pudermos dar as mãos a alguém, com certeza a luta será mais fácil.

Thales Paiva

é psicólogo, coach e palestrante. Desenvolve trabalhos voltados para a descoberta da missão e propósito de vida das pessoas.
Seus textos são sobre comportamento, conquista de objetivos e propósito de vida.

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