comportamento

Todos os comportamentos serão perdoados

“Jamais alguém fez algo totalmente para os outros. Todo amor é amor próprio. Pense naqueles que você ama: cave profundamente e verá que não ama à eles; ama as sensações agradáveis que esse amor produz em você! Você ama o desejo, não o ser desejado.” – Friederich Nietzsche

A princípio esta afirmação de Nietzsche pode parecer um tanto pesada e dura, mas vamos refletir um pouco sobre ela.

Ao dizer que amamos as sensações agradáveis que o amor produz em nós mesmos, Nietzsche explora o que depois seria chamado de ganho secundário ou intenção positiva.

fonte: Sosobriedade
Fonte: Sosobriedade

 

Basicamente, podemos entender que existe um ganho por trás de todos os comportamentos que temos e este ganho é primeiramente próprio, daí a afirmação de que todo amor é próprio.

Compreender que os comportamentos possuem um motivo é o primeiro passo para nos libertarmos dos sentimentos negativos em relação a outras pessoas. Esses sentimentos, em sua maioria, são gerados quando o indivíduo possui algum comportamento que fere os nossos valores ou que de alguma maneira evidencia algo que não gostamos em nós mesmos.

A compreensão de que existe algo por trás destes comportamentos nos possibilita aceitar a forma de agir do outro e assim conseguimos seguir em frente, desprendidos de culpa, mágoa, ressentimentos e o que mais possa aparecer.

Uma ação só pode existir se por trás dela existir um fator motivador, ou seja, se existir algum ganho para o indivíduo que a pratica.

As mais simples reações e as mais complexas e sombrias atitudes estão embasadas em algum tipo de conquista.

Somos seres com necessidades que precisam ser satisfeitas e assim como nos alimentamos para saciar a fome, temos outros comportamentos para saciar nossas demais demandas.

Muitas vezes temos comportamentos que prejudicam outras pessoas e ainda que saibamos destas consequências, não deixamos de tê-los, pois algo maior nos motiva. Alguns agora estão pensando que não fariam nada que prejudicasse o outro e aí também caímos no mesmo lugar.

A reflexão sobre prejudicar o outro tem por trás algum fator motivador para não fazê-lo.

Então isso significa que não existe comportamento sem alguma intenção por trás?

SIM!

Isso significa que em tudo o que fazemos tem um interesse que não é o da ação pela própria ação?

SIM!

Não existe sentimento, aproximação, amizade ou qualquer comportamento gratuito.

Tudo é uma troca de interesses.

Quando Nietzsche diz que amamos o desejo e não o desejado, ele deixa claro que amamos aquilo que sentimos quando mobilizamos o desejo para algo, ou seja, gostamos da roda gigante pelo que ela nos faz sentir e não por ela ser uma roda gigante. A mesma coisa acontece com nossos comportamentos e relações.

12227606_197993217200009_2297936901163594869_nQuando queremos um carro esportivo caríssimo não é exatamente o carro que queremos, mas sim como vamos nos sentir com ele. Se esse sentimento ou sensação não existir ou deixar de existir, não teremos mais motivos para ter aquele carro.

E assim é com qualquer comportamento: queremos algo (positivo para nós) por trás deste comportamento (seja ele bom ou ruim).

E esse comportamento não vai mudar antes que a ganho por trás dele seja atendido, reconhecido, aceito como válido e satisfeito.

Para falar de relacionamentos, cito Freud, que diz que “amamos a forma com que o outro faz com que nos sintamos” o que trocando em miúdos, significa que só amamos aquele que tem algo para me oferecer em troca.

Guardem as chibatas. Explico.

Essa troca de interesses não é baseada em trocas concretas. Uma amizade não se sustenta simplesmente pela amizade. Você é amigo daquela pessoa porque ela faz com que você se sinta de determinadas maneiras que alimentam esta amizade. A mesma coisa em um relacionamento amoroso, não se ama pelo amor, mas sim porque nos sentimos realizados, felizes, compreendidos, seguros, etc, etc, etc…

Se não houver um sentimento para si, não poderá existir um sentimento para o outro.

É extremamente importante separar o comportamento da intenção, já que o comportamento pode não ser sempre agradável, mas para si, a intenção sempre é positiva.

Este assunto poderia continuar entrando em doenças, relação entre pais e filhos, violência e outros temas, mas encerro com duas perguntas:

Podemos concluir então que ainda que o ser humano ajude o próximo, ele está fazendo aquilo por si?

Quando falamos no princípio do amor ao próximo, estamos exatamente esperando o quê disso?

A reflexão é livre!

Thales Paiva

é psicólogo, coach e palestrante. Desenvolve trabalhos voltados para a descoberta da missão e propósito de vida das pessoas.
Seus textos são sobre comportamento, conquista de objetivos e propósito de vida.

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