vida simples

Por que escolher um Caminho?

Quem já leu a obra de Lewis Carroll, “Alice no País das Maravilhas”, se lembra que a protagonista está atrás de um Coelho e acaba caindo em um buraco. Uma clara metáfora ao mergulho para dentro de si.

Em um determinado momento, Alice está perdida em uma estrada com várias possibilidades de caminho e vê o Gato no alto de uma árvore. Ela olha para ele e diz:

Alice: “Você pode me ajudar?”
Gato: “Sim, pois não.”
Alice: “Qual caminho devo tomar?”
Gato: “Para onde você quer ir?”
Alice: “Eu não sei, estou perdida.”
Gato: “Para quem não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve.

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Fonte da imagem: Pinterest

E assim tem sido o dia a dia de muitas pessoas.

Atualmente, a sociedade vem criando pessoas de acordo com uma maneira pré-estabelecida de certos e errados, bom e mau, colocando polaridades no querer, como se houvesse uma fórmula mágica para o sucesso na vida.

Primeiro dizem onde você deve estudar, onde deve se formar e o que deve fazer da vida, como deve se aposentar e que só aí você poderá aproveitar de tudo que viveu. Pensamento este, fruto da visão colonial do “meu filho tem que ser doutor”.

Por muitos e muitos anos, a preocupação da sociedade foi com a sobrevivência. Era importante ter uma profissão que pudesse “sustentar a família”, já que eram tempos de incertezas e era extremamente natural (e seguro) direcionar-se para a melhor possibilidade financeira possível.

Pessoas que buscavam profissões ligadas à arte, natureza ou filosofia eram vistas como loucas irresponsáveis. Tempos antes eram vistas como bruxas e muitas vezes levadas às fogueiras da inquisição.

Durante muitas gerações carregamos a cultura do “vencer na vida = ganhar dinheiro” e isso ainda existe nos dias de hoje, embora existam coisas assustadoras e incríveis acontecendo.

Vemos nos últimos anos uma onda de empreendedorismo, startups, movimentos de arte e política, popularização da alimentação orgânica e do vegetarianismo e um crescente movimento pela saúde mental e bem estar. Aparentemente as pessoas perceberam que viver o que não se deseja é enganar-se e que esse pode ser o pior castigo que alguém pode impor a si mesmo.

Olhos estão se abrindo para uma era onde o dinheiro ainda é importante (e não tem como não ser), mas não é o mais importante na vida e caímos no velho clichê dito pelo Barão de Itararé: “o que se leva dessa vida é a vida que se leva”.

Ainda assim, todo movimento possui um contrafluxo e enquanto o mundo for o País das Maravilhas, teremos cada vez mais Alices, seguindo caminhos impostos por outros ou pelos próprios medos.

Enquanto cada um não souber o que realmente quer fazer com a própria existência, continuaremos buscando o mais fácil, o que dá mais dinheiro, o que dá maior status, o que ocupa mais horas de trabalho… tudo por uma falsa ilusão de que o caminho correto existe e existe alguém que pode nos dizer qual é.

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De fato, essa pessoa existe… e ela está dentro de nós. É ela que faz os nossos olhos brilharem quando algo nos toca profundamente e por um instante nos imaginamos fazendo aquilo. Naquele instante está claro o propósito da nossa existência.

Descobrir os próprios valores, a própria missão e o motivo real da nossa importância no mundo é fundamental para viver plenamente da maneira que sempre sonhou e se a princípio isso parecer impossível, com dedicação parecerá improvável e finalmente em algum momento será inevitável.

E assim como Alice percebeu todas essas possibilidades em um mergulho dentro de si, fica aqui a pergunta:

Se você pudesse fazer o que quisesse da sua vida sem precisar se preocupar com dinheiro ou com o que pensariam de você, você faria o que faz hoje?

Vá fundo em si, perceba o que faz seu coração pulsar, o que faz você querer acordar, levantar e dedicar cada minuto da sua vida para isso e não se prenda a uma única coisa, pode ser que você encontre profissões, hobbies e atividades que você nunca imaginou praticar. Esteja aberto ao mundo pois somente assim o mundo estará aberto para você!

Afinal de contas, você pode conseguir tudo o que quer ou então, pode simplesmente ficar velho.

Thales Paiva

é psicólogo, coach e palestrante. Desenvolve trabalhos voltados para a descoberta da missão e propósito de vida das pessoas.
Seus textos são sobre comportamento, conquista de objetivos e propósito de vida.

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