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Que horas ela volta? mostra a cara atual do Brasil, vale ver!

Ontem fui ao cinema assistir “Que horas ela volta?” o festejado filme de Anna Mulayert, que tem arrebatado prêmios e indicações por onde tem passado.

No filme, Val, interpretada lindamente por Regina Casé (Prêmio de melhor atriz no Festival de Sundance), é empregada há 13 anos em uma casa granfina no Morumbi, e quando sua filha decide prestar vestibular na cidade grande, ela se vê às voltas com a  vinda de Jéssica, vivida pela atriz Camila Márdila. A jovem chega  e dá um banho de realidade na mãe e discorda de  praticamente tudo, principalmente das colocações de Bárbara, vivida por Karine Teles (atualmente no ar em A Regra do Jogo da Rede Globo), a dona da casa, e colocando em questionamento a posição da mãe, que acredita ser parte da família.

Veja o trailer nacional:

Li em algum lugar que a roteirista e diretora do filme se surpreendeu  com a quantidade de risos no cinema, eu também. Ouvi os risos com bastante tristeza aliás, já que o que se passa na tela não é uma caricatura da sociedade e sim uma verdade nua e crua, algumas vezes inconveniente para muitos.

Não gargalhei nenhuma vez, talvez porque a realidade mostrada em Que horas ela volta? esteja muito distante da minha, eu fui criada pela minha mãe, nunca tive babá. E também sou responsável pela criação dos meus filhos assim como pela manutenção da minha casa. Isso faz com que eu veja com muito respeito pessoas como a Val.

O filme retrata com muito acerto a sociedade brasileira atual, onde uma patroa, que considera a empregada “quase que como uma pessoa da família”, se mostra visivelmente incomodada com a vinda da filha da mesma  pra cidade grande com o objetivo de prestar vestibular para a mesma faculdade que o próprio filho. Não, isso não é engraçado.

Como também não é engraçado uma pessoa precisar ouvir da própria filha que ela não precisa se comportar como uma cidadã de segunda classe, porque ela realmente não é.

Ao invés de despertar risos na platéia, Que horas ela volta? deveria levar-nos a reflexão sobre o nosso modo de lidar com pessoas  (e não simplesmente empregadas) que são tão importantes na criação dos filhos e na manutenção do lar.

Foto divulgação
Foto divulgação

O filme é emocionante, no sentido de nos mostrar a importância que uma babá pode ter na vida de um filho e do quanto que essa pessoa abre mão para estar presente quando a patroa não está.

O Brasil no Oscar

Que horas ela volta? depois de arrebanhar indicações e premiações na Europa vai representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2016 na categoria de melhor filme em língua estrangeira. O anúncio foi feito pelo Ministério da Cultura após a reunião da Comissão Especial de Seleção, no Rio.

Veja o trailer internacional:

Dá uma certa sensação de “agora vai”, especialmente depois de sair do cinema e presenciar um filme feito com tanto cuidado e delicadeza e brindado por atuações tão perfeitas.

Vá ao cinema ver Que horas ela volta? vale  muito a pena, e se você ainda não ficou convencido e não tem medo de spoilers, veja este vídeo-convite da Jout-Jouts e levanta e vá agora pro cinema!

Veja onde o filme está sendo exibido e assista!

Que horas ela volta? em exibição nos cinemas! Confira as cidades e cinemas que exibem o filme na terceira…

Posted by Que horas ela volta? on Quinta, 10 de setembro de 2015

Anna Carla

Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

8 thoughts on “Que horas ela volta? mostra a cara atual do Brasil, vale ver!

  1. Nossa, Anna, fiquei super afim de assistir o filme por causa de você. Eu não sou nem um pouco fã de filmes brasileiros, mas vamos dizer que alguns são bons sim e esse parece ser um deles.

    Obrigada pela indicação! <3

  2. Muito legal!
    Eu já estava em dúvida se assistia ou não, e agora tu me deu a prova de que realmente vale a pena.
    Pena que acredito que não vou conseguir ir ao cinema ver, mas já estou acrescentando na minha lista para assistir depois que sair de cartaz hehehe
    E adorei o vídeo que colocasse no final também.

    beijo
    http://apenasimagine.wordpress.com

    1. Oi Camila!
      Como ele é um dos possiveis concorrentes ao Oscar imagino que vai ficar muito tempo em cartaz, vá ver mesmo porque é maravilhoso!
      Beijos e o obrigada pela visita!

  3. Um outro filme em que escutei risos da plateia foi o Para Sempre Alice, sempre em cenas onde aparecia os sintomas de esquecimento. Achei super estranha essa reação, porque o assunto era a doença de Alzheimer.

    1. Nossa Gabriel, quanta insensibilidade 🙁
      Meu marido achou que parte dos risos em Que Horas Ela Volta? eram nervosos, talvez por haver uma identificação das pessoas nessa situação bizarra.

  4. Gostei desse review…vou assitir….soh nao acho que rir eh necessariamente tirar sarro ou desrespeitar….riso pode ser escape para muitos outros sentimentos…talvez nao estivessem rindo da cena, mas deles mesmo por se verem naquele personagem…E obrigado pelo video da JoutJout Prazer ..nao conhecia ela ….special thanks pra Sernaiotto, que foi a culpada por ter descobrido esse blog

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