Fui assistir o novo filme da Pixar Divertida Mente no comecinho das férias, e ensaiei bastante antes de escrever esse texto.  Primeiro porque, com as crianças de férias minhas prioridades mudam, a atenção fica voltada praticamente o tempo todo pra eles, e o pouco tempo que sobra tenho que dividir entre todas as outras atividades.

Depois porque estava na dúvida de como abordaria o tema porque não gosto muito de colocar spoilers nos meus textos mas, não vejo como, nesse caso, escrever sobre o tema  do filme sem resvalar na história.

Então atenção: pode conter spoilers!

Divertida Mente conta a história da Riley, uma garotinha de 11 anos que se muda, à contragosto, com os pais de Minnesota para São Francisco.

O mote do filme está em mostrar o que se passa dentro da cabeça da Riley e de seus pais conforme a a história se desenrola. Mostra basicamente como Alegria, Raiva, Medo, Tristeza e Nojo se debatem para reproduzir as atitudes dos personagens, principalmente da Riley, diante das situações que se apresentam na vida dela.

De fato, Divertida Mente carrega muitos conceitos de psicologia trocados em miúdos. Como por exemplo: como é definida a nossa personalidade e  o porquê de se esquecer fatos antigos de sua vida, como as coisas vão parar no inconsciente, e numa cena bem engraçada como são formados os nossos sonhos.

O que eu achei mais legal de tudo foi a desmistificação da Tristeza. Achei de extrema importância a maneira como ela foi tratada  ao longo do filme.

A mensagem mais significativa de Divertida Mente é que temos de aprender a lidar com todas as emoções e com a Tristeza em especial, ao invés de espantá-la de toda a forma.  Muitas vezes esta emoção tem um peso muito maior que a Alegria na formação do nosso caráter.

compre aquiReparem que quase sempre é a Tristeza que nos faz voltar atrás numa decisão mal sucedida e retomar o rumo para a felicidade. Não é a toa que na cabeça da mãe da Riley é a Tristeza que comanda o painel de controle.

Divertida Mente mostra como às vezes é necessário e importante chorar e que a Tristeza é de tamanha importância que até mesmo a Alegria chega a senti-la. E é exatamente neste ponto do filme que acontece a reviravolta de solução dos problemas da Riley.

Vou confessar que chorei bastante em vários momentos de Divertida Mente, não apenas por ser um filme tocante mas por me colocar para refletir sobre a educação dos meus filhos, sobre como está sendo formada a personalidade deles. Saí do cinema me perguntando quais seriam as memórias que eles guardam a meu respeito, porque por mais que a gente não perceba são essas memórias que vão definir a pessoa que eles vão se tornar lá na frente.

Concluí como a frase que falamos algumas vezes “não fica triste filho” deve ser substituída por “como você está se sentindo?”. É muito importante sentir, esgotar verdadeiramente um sentimento para compreendê-lo e gerar uma memória construtiva, não nos esqueçamos disso.

Divertida Mente ainda está nos cinemas.

 

Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.
Veja o perfil completo.


Anna Carla

Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer. Veja o perfil completo.

4 comentários

palomafandrade · 14/07/2015 às 11:47 pm

Amei o post, e sua ‘análise’ rs, me deu mais vontade de ver o filme, que ainda não assisti. O conceito do filme é lindo… S2
Beijinhos – Au Revoir!
http://www.vidaemrosa.com

    Anna Carla

    Anna Carla · 16/07/2015 às 12:06 am

    Vá mesmo Paloma, é maravilhoso!

Tiago Azevedo · 23/11/2015 às 9:32 pm

Há anos que parei de dar atenção à animações, mas essa despertou minha curiosidade. Achei excelente a abordagem da tristeza, vai contra a “Ditadura da alegria”, como diz o Arthur Petry do podcast Saco cheio.

    Anna Carla

    Anna Carla · 24/11/2015 às 11:41 am

    Prestar atenção em animações é uma coisa meio que “obrigatória” para quem tem filhos pequenos, mesmo que a gente não queira nem saber eles estão atentos a data de estréia haha.
    Obrigada pela visita Tiago!

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