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Cinderela e o Fenômeno do Live Action

Por que os estúdios Disney, de repente, aprovaram uma penca de produções de tal gênero?

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Recentemente estreou aqui em nossos cinemas o filme Cinderela, adaptação do clássico de animação da Disney, agora com atores de carne e osso. OK, pensei comigo, mais um pra seguir o sucesso de Malévola no ano passado (baseado em A Bela Adormecida), e sei também que farão um d’A Bela e a Fera, com a Emma Watson (a Hermione de Harry Potter) no elenco.

E, imaginando já a intenção do estúdio em criar um universo live action de seus clássicos, nem me surpreendi quando li a notícia de que estariam também preparando a versão de Mulan, outra princesa, vinda da animação de 1998.

Mas qual seria a razão de tantas adaptações? Por que os estúdios Disney, de repente, aprovaram uma penca de produções de tal gênero? Talvez uma das explicações, tirando a óbvia de rentabilidade de bilheteria, seria a tendência do público atual em digerir melhor o gênero Fantasia nas telas de cinema. São técnicas melhores de computação gráfica, que dão mais verosimilhança e imersão na história, bem como uma maturidade cultural que deram ao adulto de hoje uma visão mais ampla de conceitos pelo costume de imaginar universos fantásticos desde a infância, com nossos desenhos animados e histórias em quadrinhos.

E percebam:

o que mais as crianças de 20 anos atrás gostavam de assistir em seus videocassetes em casa? Alguém pensou em desenhos da Disney? O adulto de hoje vai ao cinema ver as adaptações de suas histórias preferidas da infância.

Nem precisamos nos ater às princesas. A Disney já produziu filmes de 101 Dálmatas (e sua sequência 102 Dálmatas) e Alice no País das Maravilhas (já prevista sua continuação para início de filmagens). Para o futuro, já estão agendadas as adaptações de Mogli: o Menino-Lobo (de Jon Favreau, o mesmo de Homem de Ferro) e até mesmo Dumbo (pelo mesmo Tim Burton de Alice). Isso sem contar produções já realizadas de outros estúdios, como Branca de Neve (2 filmes no mesmo ano), Pinóquio, Peter Pan, entre outros.

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O que percebo também nessas adaptações é que, por trás das histórias de conto de fadas, há uma intenção de se atualizar tanto o papel feminino no universo cinematográfico como também de se acrescer valores. Vemos que as princesas atuais não estão mais em busca de seu príncipe encantado, mas sim em firmar sua posição no mundo. Basta comparar as Cinderelas (de 1950 e de 2015), e as novas princesas das recentes animações (de Frozen e Enrolados). Há muito mais determinismo e autoconfiança nelas do que nas Brancas de Neve de antigamente.

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De fato, as mulheres de hoje em dia possuem cada vez mais direitos reconhecidos, posições de liderança e independência social e financeira. Evidentemente que o cinema deveria seguir essa tendência, fortalecendo suas protagonistas.

Ou seja, nessa nossa atual conjuntura de público que aceita bem o ambiente fantástico, e ainda com a facilidade que a tecnologia dá em transportar à tela toda a imaginação do autor, podem ter certeza que cada vez mais veremos títulos até então impensáveis para serem vistos em live action. Que sejam bons filmes!

Apenas uma curiosidade final: A atriz Helena Bonham Carter interpreta a Fada Madrinha em Cinderela e a Rainha de Copas em Alice. O diretor de Cinderela é Kenneth Branagh, com quem ela teve um relacionamento de 1994 a 1999, e o de Alice é Tim Burton, com quem ela foi casada desde 2001, divorciando recentemente.

Um grande abraço e até a próxima!

Claquete

Gabriel Escudero

Especialista em cultura pop. Cinéfilo graduado em curso de crítica. Pai de dois sapecas. Escreve sobre cinema e entretenimento.

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