Angústia da Separação

Meus filhos cresceram. Minha filha está com 10 anos e meu filho com 4.

Faço parte de um grupo de mães no Facebook e observo que a grande massa das mais de 1300 mães que compõe o grupo são mães de bebês. Às vezes sinto falta de mães contemporâneas a mim para trocar ideias de vez em quando.

Com esse fenômeno da internet vejo que as mães de bebês de hoje tem muito mais acesso à informação do que eu tive no tempo da Sofia. Mas vejo também que isso não as ajuda necessariamente.

Aparentemente a grande oferta de muitos sites “especializados”, grupos de super mães, além da literatura e do apoio do pediatra deixa as mães um pouco confusas, sem saber que caminho tomar.

A maternidade é e sempre foi composta de amor e uma boa dose de desespero. Na primeira infância da Sofia eu só podia contar com isso e com a minha intuição.

Acho que falta as novas mamães tempo para intuir as coisas, tempo hábil para se ter acesso ao próprio sentir, aquela reflexão interna “o que é melhor para o bebê neste momento” sabe?

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Esses dias aprendi um termo “novo” “Angústia da Separação”. Não sei se meus filhos tiveram isso, acho que não. Dizem que acontece a partir do sexto mês, quando o bebê acorda a noite querendo a presença dos pais, da mãe mais especificamente.

Nos casos de “Angústia da Separação” tem pediatra que manda deixar chorar, tem super mãe que fala para colocar pra dormir na mesma cama que você, tem gente que fala para fazer dormir no colo e só depois colocar no berço.

Angústia da Separação

Minha intuição sempre me disse a melhor maneira de proceder, sempre. E garanto a vocês que até hoje meus filhos só ganharam com isso.

Não estou dizendo que sou a uma mãe perfeita por conta disso, ao contrário, errei também, inúmeras vezes, mas aprendi digo, aprendemos, com os meus erros.

Apesar de desconhecer o termo “Angústia da Separação” reconheço que tivemos algumas noites turbulentas contudo sempre preservei a individualidade dos meus filhos.

Meus filhos dormiram na próprio berço desde que chegaram em casa, e passados os primeiros 3 meses acostumei a colocá-los ainda acordados no berço, cantava uma canção de ninar e colocava um amigo (objeto de transição) ao lado deles para que eles aprendessem a conciliar o sono sozinhos.

Tenho certeza que, depois de ler o último parágrafo,  haverão mães fundamentalistas que vão levantar pedras para me atirar nos comentários, mas reflitam comigo, ao preservar a individualidade do seu bebê você respeita a sua também.

Sei de inúmeros casos de mulheres que entraram em depressão quando o bebê foi para o maternal, ou quando cessou a amamentação.

Acho que é o caso de se refletir de quem é essa angústia? Normalmente a tal Angústia da Separação coincide com a introdução alimentar e por conseguinte com um menor número de mamadas durante o dia.

Lembro bem de quando minha filha aos 1 ano e 4 meses, tendo passado o dia no maternal adormeceu sem pedir meu leite. Me senti “o cocô do cavalo do bandido” e pensei “ela não me quer mais”. Doce ilusão, ficamos ainda mais apegadas depois que ela deixou de mamar.

Graças à rotina estabelecida desde a mais tenra idade,  hoje meus filhos são independentes. Agora eu apenas digo “hora de dormir” e eles vão com as próprias pernas, escovam os dentes, fazem xixi e deitam-se na cama, como eu digo “cada um no seu quadrado”.

Se querem hora da história antes de dormir, eu digo “bora escovar esses dentes mais cedo!” e eles obedecem.

Lógico que tem dias que eles ficam de brincadeira, ávidos pela boêmia, correm pela casa “fugindo” da cama, eles são crianças, é natural que testem nossos limites.

Cabe a nós mães e pais intuir o que é melhor agora?

Amanhã é sábado? Deixa ver um filme da Disney até um pouco mais tarde.

Amanhã tem escola? Tem que ser firme na imposição da rotina para garantir que seus filhos sejam mais independentes e mais seguros.

Firmeza na educação também é uma forma de amar.

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Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer. Veja o perfil completo.

5 Comentários

Loma (로마) (@sernaiotto) · 21/11/2014 às 5:09 pm

Nossa, nem sabia que isso existia! Mas me lembrou demais um reality que estou assistindo (coreano, RISOS) que se chama Superman is Back. A proposta é deixar os pais (alguns famosos de lá, tem cantor, lutador, ator e comediante) cuidando de seus filhos sozinhos, por 48h, sem as mães.
Menina, como eu tô aprendendo com esse show! É super engraçado ver como os pais ficam perdidos e como as crianças sentem falta da mãe nos momentos mais estranhos. O mais legal do show todo é um comediante que tem gêmeos de 8 meses e sofre cada episódio que a mulher some por 48h! Acho que no youtube rola legenda, recomendo! <3

    Anna Carla · 25/11/2014 às 5:46 pm

    Que legal Paloma! Vou procurar, beijos!

Pablo · 24/03/2016 às 6:41 pm

Acho que é só questão de acostumar cedo e saber como lidar com a criança, como você comentou no post, os pais da geração mais nova tem mais acesso a informação e isso influencia muito no desenvolvimento da criança. Acho que isso explica o fato das crianças estarem cada vez mais inteligentes e independentes. E é nesse ponto que cabe aos pais impor limites com educação, inteligência e principalmente dando um bom exemplo.

Gostei muito deste post. Parabéns!

    Anna Carla · 24/03/2016 às 11:56 pm

    Obrigada Pablo!

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