Já são seis dias. Seis dias completamente desconectada, desligada, fora do controle. Seis dias sem celular.

Fonte da imagem: Sem censuras, por favor

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Não vou entrar nos pormenores do quê ou como aconteceu o desfalecimento do meu Galaxy SIII, o fato é que ele está em coma na assistência técnica da Samsumg há seis dias.

Inicialmente me deu uma tristeza profunda porque, além de tudo, não tenho como comprar um telefone novo agora, meu plano é familiar e como meu marido trocou de aparelho recentemente tenho que esperar até o ano que vem.

Depois, em um segundo momento, me deu uma insegurança monstruosa tipo: “se me acontecer algo na rua? Como vou fazer para pedir ajuda se eu estou sem celular?” Até parece que eu não vivi nos anos 80 e 90 onde fazíamos absolutamente tudo sem ter um “smartphone” ao alcance da mão.

Fico imaginando como minha mãe ficava na minha adolescência, eu sozinha por aí, “na night” e sem celular! Se hoje até minha filha de 10 anos já tem um telefone que ela leva consigo quando vai a festas sozinha.

No segundo dia, dissipada a insegurança, me senti muito bem pois estava fora do controle (do marido, dos filhos, do trabalho), sem localização, finalmente me sentia dona do meu destino novamente! Nessa hora compreendi perfeitamente porque minha sogra tem tanta dificuldade em ligar o celular que o marido lhe deu para carregar na bolsa.

Essa sensação de empoderamento da própria vida nos é sugada pelo uso constante do celular. O fato é que ficar sem celular abriu literalmente meus horizontes!

Mas daí você vai dizer: “o telefone celular é muito útil, especialmente para os profissionais liberais, mães” concordo com você mas, ficar esses dias sem celular me colocou para refletir sobre COMO estamos usando o celular.

Existem muitas coisas boas além da tela do telefone.

Estando sem celular eu pude observar melhor a natureza que me cerca, meus filhos e meu marido. Aliás acho que esta experiência está sendo boa pra nós dois, porque antes quando chegávamos em algum lugar a primeira coisa era sacar os celulares do bolso, agora como estou sem celular ele, em solidariedade mantém o dele guardado e aproveitamos para conversar, olhar no olho, essas coisas tão século passado.

A vida tem sido vivida muito mais ao vivo e a cores e é claro com muito mais sentido!

Até o trabalho está rendendo mais, com menos interrupções de redes sociais e telefonemas.

Aconselho quem puder, faça um detox de celular. Depois dessa com certeza vou modificar meu modo de usar celular.

Devia vir uma recomendação na embalagem dos celulares: “use com moderação porque vida boa é vida ao vivo.”

 


Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer. Veja o perfil completo.

4 Comentários

Michelle Iglesias · 10/09/2014 às 6:07 pm

Acrescento: qndo estamos o tempo todo com o celular nas mãos, vem aquela ansiedade que os outros fiquem em contato com a gente o tempo todo! Um dia sem nenhuma mensagenzinha no Whatsapp parece um dia sem sentido pra mim 🙁
Tô tentando esse detox, Anna. Mas não tá fácil… Vou encarar seu post como um estímulo pra tentar com mais carinho.
Beijos!

    Anna Carla · 10/09/2014 às 6:36 pm

    Verdade Mi! Sem celular fiquei bem menos ansiosa! Te dou maior força!

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