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Quando um beijo vira um ato político, vira beijaço

Em um mundo ideal o relacionamento das pessoas só diria respeito a elas mesmas e as pessoas seriam apresentadas umas as outras sem a “tag” de gay ou hétero.

Ontem foi um dia histórico na minha cidade, Santos. Uma cidade com a pecha de homofóbica até a raiz dos cabelos teve um Beijaço gay. O evento aconteceu em frente ao bar Toca do Garga no Gonzaga.

O Beijaço foi um ato político, de posicionamento de toda uma comunidade que se vê farta de tanta impunidade nos casos de homofobia.

Leia mais sobre o caso de homofobia que deu origem ao Beijaço, na coluna do meu amigo pessoal Luiz Fernando Almeida, para o blog Juicy Santos.

Sofia Loren e Maria Scicolone
Sofia Loren e Maria Scicolone

Poucas pessoas sabem,  mas desde 5 de novembro de 2001 existe uma Lei no Estado de São Paulo que dispõe sobre as penalidades a serem aplicadas à pratica de discriminação em razão da orientação sexual, ou seja, criminaliza a homofobia em todo o estado.

A Lei 10948/01 diz entre outras coisas que é proibido proibir qualquer cidadão homosseuxual, bissexual ou trangênero ao ingresso ou permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público.

Trocando em miúdos, o garçom da Toca do Garga cometeu um crime estadual, apenas.

Leia a íntegra da Lei Estadual nº 10948/01

É muito triste que precisemos de leis para que coloquemos em prática pilares elementares de educação, coisas simples que ensino para o meu filho de 3 anos, tipo “respeito ao próximo”.

É muito triste que o afeto entre pessoas do mesmo sexo seja relegado ao gueto, ao anonimato. Afeto é afeto! E tenho dito!

E se alguém duvidar disso que façamos valer a lei então, nem que para isso tenhamos que esfregar na cara de todo mundo este afeto, puro e escancarado.

Leia mais sobre o Beijaço em Santos no blog Juicy Santos.

Muito legal ver uma comunidade inteira, ou pelo menos boa parte dela, estando consciente de seus direitos se manifestar, de maneira tão pacífica e singela.

Foto Divulgação - Disqueria Santos
Foto Divulgação – Disqueria Santos

Talvez o que precise ocorrer é uma consciência geral desses direitos da comunidade LGBTT, é preciso que héteros e sobretudo, os homofóbicos saibam da existência desta lei porque como dizia minha avó, quando não se aprende pelo amor, se aprende pela dor.

A nossa OAB conta com uma Comissão de Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo, que é formada  pela  Dra. Patrícia Cristina Vasquez de Souza Gorish, Dr. Fábio Moya Diez, Dra. Vanessa Lourenço Lopes da Silva e pela querida Dra. Rosangela da Silveira Toledo Novaes.

Esta equipe de advogados super competentes trabalha, assim como eu,  para difundir os direitos da comunidade LGBTT em Santos.

Saiba seus direitos.

As pessoas precisam saber mais, se informar e tomar a consciência de que discriminar o outro por gênero ou orientação sexual é pura ignorância, e é crime.

Que atire a primeira pedra quem nunca passou por isso: antes de apresentar um amigo gay a alguém elogiou sua performance no trabalho, seus talentos ou seu caráter. Infelizmente isso é um tipo de preconceito velado.

Ser gay não interfere em absolutamente nada disso. Ser gay ou hétero não faz ninguém pior ou melhor do que o outro.

Torço para que haja um dia em que não precisaremos mais enaltecer as qualidades de alguém porque ele ou ela é gay.

Espero que eu esteja criando meus filhos para serem adultos nesse mundo ideal.

Leia também:

Como o preconceito é aprendido?

Todo mundo pode fazer tudo!

Anna Carla
Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

2 thoughts on “Quando um beijo vira um ato político, vira beijaço

    1. Dra. Rosângela não tem como não querer bem uma pessoa como você!
      Honrada demais com sua visita no meu blog!
      Volte sempre <3

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