vida simples

O fundamentalismo materno nosso de cada dia

Aviso: este texto não é uma apologia ao parto cesáreo.

Também não é uma defesa de médicos mercantilistas e tão pouco uma defesa ao leite industrializado na primeira infância.

Para quem não sabe eu tenho quarenta anos de idade e dois filhos. Sofia de 9 anos e Joaquim de 3, ambos nascidos de parto cesáreo.
Eu não tive escolha e não foi minha ginecologista que me forçou a ter um parto cesáreo.

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Acho lindo essa coisa do parto normal e gostaria muito de ter tido meus filhos assim, de uma maneira natural e mais segura mas o meu corpo não quis assim, infelizmente.

Seria eu menas mãe?

Meu útero é transverso, e além disso não tive dilatação o suficiente no primeiro parto. No segundo eu estava com a artrite ativa no meu organismo além de algumas lesões advindas da doença.

Muito embora eu apoie totalmente a popularização do parto normal e o combate ao parto cesáreo desnecessário me irrito profundamente com o fundamentalismo nas questões de maternidade. Especialmente quando as criticas e julgamentos vêm justamente de outras mães.

Tive meus filhos em cesarianas necessárias e isso não me faz menos mulher ou menos mãe, nem mais ou menos inteligente ou ingênua. Assim como aquela mulher que tem os filhos facilmente em um parto normal não é mais mulher do que aquela que leva 72 horas em trabalho de parto.

Saia pra lá com a sua ignorância

Qualificar as mulheres por seus partos na minha opinião é uma ignorância sem fim. Do mesmo modo as mães que amamentam e que não amamentam. A mulher que não pôde amamentar seu bebê, seja qual for a razão, fisiológica ou social, não ama menos seu filho por causa disso.

Esse fundamentalismo de afirmar que mãe de verdade é aquela que tem a criança de parto normal e amamenta a criança até os dois anos ou mais é um desrespeito com um sem fim de outras mulheres que fazem o que podem para exercer a função de mãe da melhor maneira possível. E aí incluo as mães adotivas que são muito, muito mães.

A maternidade é linda gente, não importa como foi seu parto

A maternidade fez de mim uma pessoa diferente e melhor, mas eu não tive parto normal. Há os que defendem que a mulher renasce no parto normal junto com seu filho, acredito. Mas eu também renasci, meus filhos me transformaram e não o modo como eu pude trazê-los ao mundo.

Esperei ter minha filha de parto normal, não pude. E essa frustração afetou de certa forma a maneira como recebi sua chegada.

Fui para sala de parto com medo, nunca tinha operado nada na vida e de repente eu estava indo ter minha filha deste jeito não natural.

Ainda assim, foi lindo, humanizado, com meu marido do meu lado segurando minha mão e o choro dela foi a música mais bonita que eu tinha ouvido na vida até então.

Meu filho foi diferente. Eu já sabia da minha condição previamente. E foi ainda mais tranquilo, humanizado como da primeira vez, eu e meu marido juntos, fui com confiança na minha ginecologista e logo tive meu menino nos braços para amamentar.

Garanto a vocês que as minhas duas experiências não foram menos bonitas ou transformadoras do que qualquer outra de parto normal.

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Se você estiver grávida e lendo este texto por favor não permita que te julguem.

Faça o pré natal com um ginecologista da sua confiança e acompanhe tudo bem direitinho. Na hora H tenho certeza que as coisas vão fluir da melhor maneira para você e para o seu filho.

Se você já é mãe, não permita que comparem a sua experiência com a de outras mães com desdém e desrespeito.

Cada mãe é um novo ser renascido da sua experiência seja ela de que natureza for, e isso é lindo!

Este texto foi escrito como um desabafo por uma defesa  de ideais que respeite todos os tipos de mãe.

 

 

Anna Carla

Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

5 thoughts on “O fundamentalismo materno nosso de cada dia

  1. Totalmente apoiada! Acho q a maternidade já é um bicho de 7 cabeças por si só, daí vem toda uma corrente de pessoas querendo cagar regras, como se houvesse alguma regra em ser mãe e pai! Fiz 3 cesáreas, acho q o importante é a mulher estar segura caso possa escolher. Tem gente q tem medo de parto normal, tem gente q tem medo da cesariana. Acho q o importante é q o bebê nasça com saúde!
    Bjos!

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