cotidiano

“De mal” com a moda

Sempre tive uma relação estranha com a moda, oscilando entre o amor e o ódio.

Trabalhei muitos anos com moda indiretamente, na área do comércio. Quando gerenciava uma loja de calçados eu precisava estudar o que era tendência, os materiais, cores, modelos  e texturas que seriam hits de cada estação, tudo isto para passar para uma equipe de mais ou menos dez, doze vendedoras.

O que sempre me incomodou bastante na moda é essa coisa do “pode e não pode”,  principalmente os hits imperativos que deixam todo mundo igual.

Nos últimos tempos em que ampliei meu contato com a blogosfera conheci muita gente que gosta, estuda ou trabalha diretamente com moda e, infelizmente, fui me desiludindo um pouco mais, depois de descobrir que estes conceitos que me incomodam tanto ainda são valorizados.

Eu penso que ter estilo é mais importante do que estar na moda. E estilo é uma coisa que se constrói com base no auto-conhecimento e na auto-estima.

Dia desses no Bazar dos Blogs uma amiga querida me disse: “ah, não amiga, você não é 46 de jeito nenhum!” e eu respondi “querida 46 é só um número, de nada adianta eu vestir uma roupa 44 sem respirar e não me sentir bem com ela”. Além do mais uma roupa apertada leva pra longe de você qualquer possível elegância.

Por isso não importa tanto o número do manequim e sim o caimento da roupa, uma roupa que cai (bem) é uma auto-estima que sobe!

O dia em que compreendermos que a roupa é só uma das muitas linguagens que podemos utilizar para nos comunicarmos seremos muito menos vítimas da moda e muito mais senhoras de nossa aparência.

Hoje faço as pazes com meu espelho, com meu corpo, com minha aparência e assim começo uma caminhada em busca de estilo, do meu estilo próprio, pessoal e intransferível.

E se você que está lendo não entendeu patavina, é disso aqui que eu tô falando:

Anna Carla
Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

9 thoughts on ““De mal” com a moda

  1. Concordo em tudo-tudo-tudinho que você mencionou, aliás cairá como uma luva ou servirá de exemplo para muitas. Detesto essa coisa de pode-não-pode e acho que tudo é questão de se sentir bem mesmo. Ter estilo é ter personalidade, e ter personalidade é se identificar de verdade com o que escolhe para seu “marketing” visual, simples assim.
    Também acho que ter estilo não é usar o que “tá na moda”, creio que isso é para quem segue o padrão – sem criatividade – do que é posto lá pelos grandões, imersos em conceitos capitalistas de uma moda descartável e vazia. Gente que só quer tirar nosso dinheirinho de todo santo mês.
    Afinidade é a palavra que rege a moda despretensiosa (a mais plausível em meu ver) e é disso que eu gosto. A soma do “felling” para se vestir, bom senso, criatividade e afinidade com a roupa é o que vale! A moda é uma grande diversão e creio que é assim que deveria ser vista. Tudo pode para quem se permite! né?
    Adorei amiga.
    beijoca.

    1. Aline,
      Este post é meio uma consequência daquele nosso café. Fiquei pensando no que eu quero para 2012 e isso é definitivamente uma das coisas mais importantes: cuidar da minha auto-estima e, pelo que vejo por aí, se a moda é apartada disso fico “de mal” dela e tenho dito!
      Beijos querida!

  2. Concordo plenamente com você! Moda hoje me dia, na minha modesta opinião, é um conceito que é interpretado erroneamente! Hoje em dia as pessoas fazem de tudo para “estar na moda”, e acabam perdendo todo seu estilo, toda sua personalidade por causa disso. Como você disse, a roupa é apenas uma de muitas linguagens que usamos para nos comunicar, e se estamos na moda e não estamos dentro do nosso estilo, ou não nos sentimos confortáveis, então não temos personalidade.

    O que acontece é que, principalmente com essa onda de blogs que falam de moda, e muitos falam “errado”, as pessoas estão com as cabeças viradas no conceito “chanel”, e achando que tamanho 34 é lindo! Só estão esquecendo que estamos no Brasil, e brasileira é bunduda com quadrilzão e peituda (A maioria de nós, pelo menos)! Não há como usar manequim 34 com plusa extra-PP, nem é o nosso perfil. Sei lá, só acho que depois os casos de bulimia/anorexia acontecem e os números sobem, depois as pessoas não sabem o porque..

    Posso ter exagerado no comentário, mas esse é meu ponto de vista…
    Beijos,
    May ;*

    1. May,
      Talvez você tenha ido além mesmo do que eu propuz no post mas com certeza o seu ponto de vista é muito pertinente! Você levou a minha proposta para o coletivo, para milhares de meninas brasileiras que querem pretencer a um “padrão” inatingível pra nós, moças curvilíneas e de formas fartas. Mas “padrão” pra quê mesmo??? Personalidade é a chave!
      Um abraço!

  3. Amei teu post e amei os comentários…dá até dó de ver na rua aquelas pessoas sem noção nenhuma, com corpo totalmente inadequado para a roupa “da moda” e acabam pagando o pato. São vítimas dessa imposição toda que, contudo, ainda desejam seguir.
    Pra mim, não faz sentido nenhum seguir a imposição de alguém que cria algo que não é pra mim, e que desconsidera totalmente a minha forma para criar a sua arte.
    Arte é ser feliz do jeito que somos, e com o que temos. Não estou falando como “líder das gordinhas” nem nada, gosto de ver catálogos de moda e detesto aquelas confecções plus size que “caricatam” as roupas das outras grifes.
    Bora ter personalidade e ser feliz, boa meta pra 2012!

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