vida simples

Declaração de amor

Eu nasci em 1973 na Maternidade da Beneficência Portuguesa, passei a maior parte da minha infância no bairro do Gonzaga, morei  quatorze anos na Rua Tocantins quase de esquina com a Rua Luiz Suplicy, e é no mínimo curioso que eu não tenha nenhuma grande lembrança dos “Bailes do Sírio”. A única coisa que me lembro é que  a badalação daquela época anos 70/80 tinha endereço certo, e era lá mesmo.

Minhas recordações daquele tempo são coisas de criança  como por exemplo brincar de polícia e ladrão na rua, fazer desfile de Susi (sim! Abafa que eu sou do tempo da Susi, rs) na garagem do prédio, ir na sessão Coca-Cola aos domingos de manhã no finado Cine Indaiá, tomar um sundae de morango com meu paizinho na antiga lanchonete 415, ir na praia com meus irmãos mais velhos e ficar em frente ao Joinville ( então point de paquera)  e por aí vai…

Muitos dos meus amigos mais próximos não moram mais em Santos. Costumo dizer que somos a geração dos “expulsos”, ficamos adultos numa época em que para ser bem sucedido profissionalmente tinha que ir para Cubatão, São Paulo ou até mesmo para fora do país. Meus amigos foram e eu fui ficando…

Não vou mentir para vocês e dizer que foi um “mar de rosas” a minha escolha. Foi trabalhoso encontrar “meu lugar” profissionalmente, eu poderia hoje ser concursada em alguma cidade do interior, poderia trabalhar numa grande banca de advocacia em São Paulo por exemplo. Meu marido mesmo, trabalha numa indústria em Cubatão. Nós poderíamos ter comprado um imóvel lá para morar, seria mais barato inclusive, mas quem nos afastaria do nosso mar amado e do nosso querido jardim???

Alguns amigos até hoje me perguntam o que que eu ainda faço aqui e eu respondo que apesar de todas as pedras que se transpuseram no meu caminho eu escolhi “o mangue” para viver. Além do mais sou mãe e não consigo imaginar um local melhor para ver meus filhos crescerem. E se até as pedras do pier da foto foram retiradas porque não continuar a viver aqui e a amar esta cidade?

Agora me respondam vocês em que lugar do mundo eu teria o maior jardim de praia para caminhar aos domingos?

Em que lugar do mundo eu teria a sensação de morar no interior estando mesmo na cidade? Se duvida venha me visitar num dia de semana, mesmo na hora do rush, e você verá o sossego que é morar no Marapé.

Em que lugar do mundo eu teria um pouco de São Paulo na Avenida Dona Ana Costa?

 Em que lugar do mundo eu teria a chance de criar meus filhos tão  perto simultaneamente da praia, do interior e da cidade?

Somente na minha linda Santos tão interiorana e metrópole ao mesmo tempo, tão doce e  tão salgada, tão querida e tão amada.

*foto tirada no verão de 1991 no Pier de Santos (Emissário Submarino) por Gude Brandão.

Anna Carla

Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

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