cotidiano

O primeiro dia do resto da minha vida

Hoje meu filho completa 10 meses. Ele é lindo, esperto e sobretudo muito saudável. Afinal eu o amamentei no seio até agora e a partir de hoje ele não poderá mais “mamar na mamãe”.

“Ato de extrema generosidade” disse-me meu reumatologista sobre isso ao analisar minhas radiografias. Estas  retratam uma doença em atividade e traduzem o meu altruísmo e minha irresponsabilidade.

Sempre me doei inteira para aqueles que amo, minha terapeuta diz que isso é no fundo um pouco de masoquismo, já que este “amor” até agora só me degenerou e me fez sofrer.

Um dia desses, enquanto avançava no desmame do  meu filho eu perguntei pro meu marido se eu mudei muito com a doença, ele disse que não. Eu também não sei dizer, já que eu não me lembro mais como é viver sem sentir dor. Acho que compreendo tanto o Dr. House do seriado por conta disso.

Quando abandonei o tratamento alopático há quatro anos eu tinha medo de que os efeitos colaterais da medicação me tornassem um arremedo de mim mesma, um rascunho da pessoa que eu era até então. Contudo, o avanço da doença  fez comigo exatamente isso.

Hoje retomo integralmente um tratamento que abandonei por escolha há quatro anos. “É pro resto da vida” me disse o médico. Estou otimista já que atualmente o tratamento é mais moderno, praticamente sem efeitos colaterais.

A Artrite Reumatóide não tem cura, tem tratamento. Você não morre dela mas morre com ela.

Eu quero me reintegrar, preciso fazer isso! Não apenas pelos meus amados mas principalmente por mim.

*Eu num momento “eu me amo de montão, me dando “um autoabraço gostoso” ! Foto  tirada pela minha filha em Campos de Jordão, na Colônia de Férias do SDAS em junho deste ano.

Anna Carla
Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

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