Ricardo costumava dizer que não ficaria velho nunca, costumava dizer que sabia das coisas (e sabia mesmo), e numa de nossas brincadeiras lá no fim da década de 80 eu disse: “Será que o mundo vai acabar no ano 2000? Eu vou ter 27 anos! Que velha!” Ele me respondeu: “Velha nada, praticamente minha idade, eu vou fazer 28 e não sou velho!” e eu rebati rindo: “É mesmo! Velho você vai ser no ano 2000, vai estar beirando os 40!” e ele disse: “minha querida irmã eu NUNCA vou ficar velho.” E realmente, ele não ficou.

Já eu… cada dia que passa sei que nada sei… Só sei que eu ainda tenho muito que aprender. Isso me dá uma segurança, a sensação de que ainda vou viver por muitos e muitos anos. Que eu tenha saúde então, muita saúde pra tudo.

Ultimamente tenho me olhado no espelho e tenho demorado um pouco mais a me reconhecer. Talvez sejam as olheiras, um pouco mais acentuadas do que de costume, e esse ar de “cansaço feliz” por amamentar praticamente o dia todo.

framboesa

Estive com minha prima e comadre esses dias, ficamos conversando sobre a nossa meninice noite adentro, como se ainda meninas fôssemos e em meio a uma grande gargalhada  ela lembrou que acabara de completar 40 anos.

QUARENTA.

Soou forte, tão forte que parecia mentira. Rimos as duas e nos demos conta de que essa idade é apenas um número, na mente e no coração ainda somos aquelas meninas que brincavam de Susi no quintal, que beijaram pela primeira vez no carnaval, que cometeram a estupidez de fumar escondido, que gostam de filmecos românticos e divertidos, que acham o Leo Jaime uma gracinha (até hoje!)…

A gente continua ali, morando dentro do mesmo corpo. Só que agora a gente cuida de tudo, da casa, das plantas, do marido, dos filhos, paga as contas, trabalha fora, trabalha dentro, trabalha dentro, trabalha dentro…dentro de si! Porque tem que trabalhar muito pra não deixar a menina morrer no meio de tanta coisa! Porque tem que regar a flor de vez em quando pra ela não murchar, porque só com amor se mantém a chama viva pra iluminar o reflexo da imagem no espelho.

Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.
Veja o perfil completo.


Anna Carla

Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer. Veja o perfil completo.

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