cotidiano

Noroeste

Era uma manhã como outra qualquer, exceto pelo vento noroeste que teimava em tirar tudo de seus lugares. Crianças indo para escola, algumas com alegria e outras com certo enfado. O pequeno comércio de bairro que abre sua porta de ferro barulhenta, seu Joaquim como sempre exibindo seu sorriso interesseiro aos primeiros fregueses, estes apressados ou sonolentos, apenas em comum a busca de pão e frutas para o desjejum.

Enquanto isso Norma, após tomar seu café da manhã e despedir-se do marido e dos filhos dá ordem na casa. Norma é uma mulher extremamente auto-suficiente e, muito embora tenha condições para tanto, jamais delegaria as atividades domésticas a outra mulher.

Do outro lado da rua, o jovem Jorge se esforça inutilmente para recolher as folhas da calçada. O vento se assemelhando a uma criança brincalhona mexe e remexe a copa das árvores numa espécie de balé.

Camas feitas, roupa cuidada, cardápio do jantar escolhido com seus ingredientes devidamente separados, casa limpa. Tudo parecia bem, porém, não se sabe se era pelo vento que teimava em balançar as cortinas e bater as portas Norma sentia em seu íntimo algo estranho e pensou: “- Vou polir a prataria, sempre me acalma”. Contudo, o que Norma não poderia desconfiar absorta em meio às pratas e a flanela é que algo surpreendente estava prestes a acontecer.

Anna Carla
Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

Comente