cotidiano

De volta para o futuro.

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Eu não costumo me arrepender das coisas que falo, escrevo ou faço. Muito embora muitas vezes eu tome minhas atitudes no calor do momento.

Mas agora eu estou colhendo os frutos que plantei há alguns anos atrás, quando mesmo estando em idade adulta participei de uma adolescência tardia coletiva.

Naquele momento eu revestida de minha razão me afastei de pessoas que obviamente adquiriram um conceito negativo ao meu respeito que fica difícil de apagar.

O mais triste nisto tudo é que toda esta situação envolveu pessoas por quem eu ainda tenho imenso e genuíno carinho. Com algumas destas pessoas eu consegui me entender, perdoar e ser perdoada e dar a volta por cima na relação mas com outras, muito embora exista um verniz de “estátudobemvocêémuitobacanaedivertidagostodevocê” os efeitos danosos daquelas atitudes juvenis prevaleceram e se estendem  até os dias de hoje e abrangem outras pessoas de quem eu gosto de graça,  e que infelizmente não tiveram e provavelmente, em razão disto, nunca terão  a oportunidade de me conhecer de verdade.

O que é chato é que do lado de lá, só se ouve a versão do lado de lá logo a minha etiqueta de “tipomalucaperigosa”  foi colada com superbonder e não me dão oportunidade de descolar.

E no fim das contas fica um ciclo vicioso que se repete de ano em ano quando eu tento me expor de maneira a não parecer maluca, para  esta carapuça não me servir saca?

Às vezes eu fico pensando se eu pudesse entrar num DeLorean e voltar no tempo no exato momento em que eu peguei naquele maldito telefone e pararasse para pensar e desligasse, desfazendo o gatilho final da situação, como estaria minha vida hoje?  Acho que  muito provavelmente não faria a menor diferença, porque independente desta minha atitude muita água passou debaixo desta ponte e os outros continuariam agindo do mesmo modo que agiram, sendo injustos comigo da mesma maneira. A diferança crucial seria: eu teria engolido um sapo gigantesco e provavelmente isso não teria me feito bem nenhum.

Meu amor costuma me dizer que com o tempo a verdade aparece, neste caso quanto mais o tempo passa mais se reforça a teoria  do lado de lá.

Só acho pena que quem não viveu a situação ainda assim se veja obrigado a tomar partido perdendo a oportunidade de saber quem eu sou de verdade, sem rótulos, e quem sabe conquistar uma amiga para toda a vida.

E assim vou levando, pegando à unha as rebordosas das minhas atitudes nesta vida. E que venha o futuro porque quem vive de passado é museu!

*E falando em viagem no tempo: a  foto foi tirada por mim no último sábado, na festa anos 80 que comemorou o aniversário da querida Aline Tolotti onde dancei e me diverti até quase 4 da manhã!
Anna Carla
Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

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