cotidiano

O primeiro dia do resto da minha vida

Ontem foi o primeiro dia depois de muitos em que hibernei, física e emocionalmente,voltei à vida.
Aos poucos retomei a rotina doméstica, de mãe e dona-de-casa, com bem menos enfado que nos últimos tempos. Depois deste despertar até lavar a louça teve alguma magia, as mãos ensaboadas e os olhos longe, apreciando do janelão da cozinha a brisa que beijava a árvore do quintal vizinho. O cheiro da roupa limpa no varal e do molho de tomate apurando na panela.
Café fresco, e forte.
Ouvi música, tomei um banho demorado e me reencontrei.
Meditei, retomei a prática esquecida em tempos de dor e realizei os ásanas tão queridos: a árvore, o guerreiro, a lua e o peixe. Dancei e cantei meus mantras preferidos.
Com a cabeça fresca e o corpo revigorado, passei por aqui, estudei, revisei trabalhos e preparei a agenda de uma semana que começa a se agitar levemente como uma flâmula no vento, estou vivendo. E é com um sorriso que lembro do famoso medo de desaparecer, agora ele é graça e dele eu faço troça.
A noite cai e recebo um marido cansado em véspera de férias e uma filha novidadeira de Ipod na mão.
Banho na cria, brincadeira, cachorro quente.
Calor humano, família e amor.
Anna Carla
Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

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