cotidiano

Eu pago bem baratinho.

Como me disse uma vez um amigo as pessoas miseráveis, sofredoras compulsivas escrevem muito melhor. Eu concordo com ele, a dor gera uma criatividade quase inatingível pelas pessoas felizes. A dor de amor, a dor física, a dor da solidão.

A raiva também pode ser boa conselheira se você deseja ser um bom escritor, admirado e invejado. As palavras saem das teclas como lanças quando você está com raiva do mundo e alinham como num balé se você é um ser tomado pela cólera.

Por incrivel que pareça existem pessoas que só são plenas quando infelizes, parece coisa da ficção tipo House M.D. mas não é!

Eu já fui assim, já me senti infeliz, já senti muita raiva e isto me trouxe não apenas uma escrita visceral, mas principalmente conseqüências físicas das quais venho me recuperando nos últimos dois anos. Hoje quando estou prestes a completar 35 anos de vida bem vividos faço minhas as palavras do meu amigo: “ digo que sempre que alguém fala com uma ponta de inveja da grandeza de Fernando Pessoa ou de Clarice Lispector ou qualquer outra, eu pergunto: “Você suportaria ser Fernando Pessoa ou Clarice Lispector? Você pagaria esse preço para chegar a escrever o que escreveram?” Eu não.”

Anna Carla
Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

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