cotidiano

Ensaio Sobre a Cegueira

Na última quarta-feira fui ao cinema ver a versão de Fernando Meirelles do romance de José Saramago “Ensaio sobre a cegueira”.
Normalmente quando se vai ao cinema assistir um filme sobre um livro que você já leu você está cheio de expectativas e com a sua versão da estória na cabeça. Adoro o trabalho do Meirelles e estava realmente curiosa pra ver o resultado na telona.
O livro nos desperta essencialmente à moralidade e ao seu questionamento e nos incita a reparar no outro, na dependência e confiança que uma deficiência pode despertar. Saramago coloca a gente para pensar nas conseqüências individuais e coletivas que a cegueira pode gerar.
Meirelles nos dá um soco no estômago e nos coloca para sentir a cegueira.
Por vários momentos ele cega o espectador e o coloca como personagem do drama coletivo. Em algumas cenas tive a impressão de sentir o cheiro.
É curioso ver o resultado das filmagens em uma São Paulo vazia, mas não menos caótica que a que conhecemos.
Julianne Moore está bem no filme.
Apesar de dividir opiniões de crítica e público considero um bom filme, muito embora eu tenha gostado mais do livro. Talvez por esta razão Saramago tenha relutado tanto em ceder os direitos para o cinema para ele “o cinema destrói a imaginação“.

Consta na contracapa do livro:

“Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.”, citado do “Livro dos conselhos”, de El-Rei Dom Duarte.

Anna Carla
Mãe, advogada e blogueira. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.

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