Terminou ontem a exibição da mini-série da Rede Globo, Queridos Amigos de Maria Adelaide Amaral.

Não perdi um capítulo sequer, salvo o último… Lamentei demais quando cheguei a casa ontem à noite e percebi que havia acabado. Fiquei tão submersa na atmosfera dos anos 80 que me esqueci que estamos no século 21 e que temos toda a sorte de tecnologia a nossa disposição.
Uma salva de palmas a democracia, ao site YOUTUBE e a um sujeito chamado luiz56pinto que disponibilizou não apenas a íntegra do último capítulo, mas a série completa.
A Maria Adelaide foi criticada por perder tempo explicando fatos históricos, sendo que por ser ambientada em uma época relativamente recente a série deveria ser auto-explicativa. Discordo.
Eu vivi neste tempo, parte de minha infância foi na época da ditadura militar, e estudando em colégio público éramos obrigados a cantar o hino nacional e hastear a bandeira no pátio da escola. Percebemos a mudança do governo e tudo o mais, lembro-me de ver meus pais chorando de emoção ao ver no Jornal Nacional a volta dos exilados, achei o máximo ver a queda do muro de Berlim pela tevê onde um jovem Pedro Bial anunciava que naquele momento presenciávamos a história. Contudo, boa parte do público tem idade inferior a 25 anos e como na escola, infelizmente, estuda-se apenas a história antiga do Brasil fica difícil não tratar do assunto de maneira didática.
Didatismo a parte, preciso dizer que achei o trabalho como um todo impecável! Os atores, direção da Denise Saraceni, a produção de época, a trilha sonora… Para mim foi um verdadeiro passeio no túnel do tempo.
Emocionei-me demais com a temática também, é lamentável como a amizade foi deixada de lado nos dias de hoje, como tudo ficou simplesmente circunstancial e artificial.
Entendi por que sou assim, um tanto idealista, livre de preconceitos, sou assim porque vivi nessa época, porque respirei esta atmosfera e acho que por isso me comovi tanto. Difícil não chorar ao ver a resposta de Cíntia a ser perguntada pelas crianças: “-Você é homem ou mulher?” e com o rosto coberto por lágrimas ela diz “- Sou gente, sou muito gente.”
Falei aqui na semana passada sobre meu renascimento e sem dúvida assistir a esta série lembrou-me quem eu sou na origem para que renascida na essência eu não me perca no caminho.
Anna Carla

Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer.
Veja o perfil completo.

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Anna Carla

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Santista ”da gema”. Uma mulher dos anos 50 nascida em 73. Mãe da Sofia desde 2004 e do Joaquim desde 2010. Advogada formada pela Universidade Católica de Santos desde 2001. Costumo dizer que me interessam coisas legais em sentido amplo e estrito. Amo gatos, plantas e vida simples. Escrevo por prazer. Veja o perfil completo.

2 comentários

helen · 02/04/2008 às 3:27 am

Tenho 21 anos, mas me apaixonei perdidamente por esse tempo que infelizmente não vivi, alias depois disso pesquisei muito, e estou adorando descobrir o que antes era desconhecido por mim.
Realmente foi maravilhoso.

Beijos

Samantha Steil. · 03/04/2008 às 1:18 am

Olha, vou te dizer que tbm perdi o último, e, sabendo agora que o tals ite disponibilizou o conteúdo, pelas mãos de uma boa alma, me rendo enfim.

Linda, atores fantásticos, música perfeita!

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